MST articula jornada de lutas em todo o País em abril

O Movimento dos Sem-Terra (MST) está articulando para o mês de abril uma jornada de lutas em todo o País. Com invasões de propriedades rurais, formação de novos acampamentos em beira de estrada, marchas e ocupações de sedes de instituições públicas, a organização pretende chamar a atenção da sociedade para o que chama de atraso no processo da reforma agrária.Segundo um dos dirigentes nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, o mote da jornada de luta será ?tolerância zero com o latifúndio?. Ainda segundo Rodrigues, as ações realizadas nos últimos dias nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Goiás são apenas ?o aperitivo? da jornada de abril. ?São movimentos espontâneos, organizados pelas coordenações estaduais?, explica. ?Em abril teremos uma ação organizada em todo o País.?O início da jornada deve ocorrer no dia 17 de abril ? data em que o MST relembra o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, no interior do Pará. Nessa data também estará chegando ao fim o prazo de 120 dias que, segundo comentários de alguns dirigentes da organização, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva teria para demonstrar que iria acelerar a reforma.Oficialmente, nenhum dirigente do MST diz que a jornada de luta se destina a atingir o governo. ?Queremos principalmente denunciar que, ao contrário do que se dizia no governo de Fernando Henrique Cardoso, não houve reforma agrária no Brasil?, afirma Miguel Stédile, da coordenação do movimento no Rio Grande do Sul, onde 400 famílias criaram um acampamento no fim de semana.Segundo Rodrigues, a meta principal do MST é conseguir o assentamento de 80 mil famílias que já estariam reunidas em acampamentos e invasões. ?Com nossas ações vamos ajudar o governo, mostrando onde estão os latifúndios, quais terras devem ser desapropriadas para os assentamentos.?Em Mato Grosso, um dos coordenadores estaduais, Altamiro Stochero, afirma que as ações do MST, como a ocupação da sede do Incra daquele Estado, ontem de manhã, vão servir para pressionar Lula. ?Ele vai ter de mostrar se pretende mesmo aprofundar a reforma agrária, como disse.?Segundo Stochero, os técnicos do Incra de Mato Grosso ainda se comportam como se estivessem no governo de Fernando Henrique. ?Querem continuar conversando, explicando por que os processos de desapropriação não andam?, diz ele. ?Mas nós estamos cansados de prosa. O que faz a reforma agrária andar é a desapropriação.?Embora a coordenação nacional do MST tenha definido o lançamento da jornada de luta, as ações vão variar de um Estado para outro, de acordo com a conjuntura e o grau de organização local.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.