MST ameaça invadir mais 6 áreas no Pontal

Enquanto líderes fazem balanço do ?carnaval vermelho?, ruralista diz que setor está ?de joelhos?

Sandro Villar, PRESIDENTE PRUDENTE, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2008 | 00h00

A coordenação do Movimento dos Sem-Terra (MST) em São Paulo ameaça continuar a série de invasões iniciada no domingo, no chamado "carnaval vermelho" - que já atingiu 14 propriedades no Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado. Em reunião de avaliação realizada ontem, líderes do MST disseram que mais 6 fazendas devem ser invadidas até domingo.No município de Euclides da Cunha Paulista, o pecuarista Cleidir Macedo, que teve sua fazenda invadida por 70 famílias, criticou a falta de capacidade do governo para impedir as invasões e punir os responsáveis. Ele disse que ocorrem invasões pelo Brasil inteiro "e fica por isso mesmo".O fazendeiro deve solicitar hoje à Justiça a reintegração de posse da Fazenda Iara. A União Democrática Ruralista (UDR) também vai recorrer ao Judiciário, pedindo a punição dos invasores.BARRACOSO carnaval vermelho começou no domingo, com a invasão de 4 fazendas. Na segunda-feira, os sem-terra entraram em outras 10 áreas, elevando para 14 o total de invasões. A meta agora é atingir a marca de 20 ações no prazo de uma semana.De acordo com o MST, cerca de mil pessoas estão nas fazendas. As famílias ergueram barracos de lona e agora pretendem plantar milho e feijão.Era esse o cenário que se via ontem na Fazenda Guarani, invadida pela sétima vez, e na Fazenda São Luiz, que passa pela 15ª ocupação. As duas áreas ficam em Presidente Bernardes.Na Fazenda São Luiz estava funcionando uma espécie de central para listar as famílias interessadas em obter um terreno. "Há inscrições abertas para novos lotes", anunciava Cido Maia, da coordenação do MST. Segundo suas informações, cerca de 3,6 mil famílias já foram cadastradas pela organização.A Polícia Militar acompanhou as invasões à distância. De acordo com uma fonte da área da segurança pública ouvida pelo Estado, há fazendeiros que não se preocupam mais com as invasões. Cansados de conflitos, estariam preferindo vender a terra para o governo.O pecuarista Macedo confirmou que há mesmo fazendeiros interessados em vender, porque estão "de joelhos" diante do MST. "Pelo preço de mercado, eu vendo a fazenda inteira para o governo. Quero R$ 20 mil pelo alqueire", disse.A Fazenda Iara tem 360 alqueires. Na avaliação de Macedo, entregar essas terras para as famílias de invasores seria um desastre: "Estão implantando favelas rurais, porque não têm qualificação nem vocação para a agricultura."AUDIÊNCIAJosé Rainha, o mais conhecido líder dos sem-terra no Pontal, voltou a criticar ontem as ações do governo estadual - a quem cabe conduzir as ações da reforma agrária no Estado. Na opinião dele, a reforma andaria mais rapidamente na região do Pontal se fosse conduzida diretamente pelo governo federal.Rainha disse ontem que vai buscar uma audiência com o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), para pedir que o governo federal assuma a condução da reforma agrária no Estado. "Tem que assumir logo", afirmou.O Estado voltou a procurar ontem representantes do Instituto de Terras do Estado (Itesp) e do governo estadual, para falarem sobre a situação do Pontal, mas eles não foram localizados.

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