MS teve o maior número de índios assassinados em 2008

Sozinho, o Estado representou 75% dos assassinatos de indígenas registrados no País, que somam ao todo 53

Gustavo Uribe, da Agência Estado

13 de janeiro de 2009 | 17h10

O Estado de Mato Grosso do Sul lidera o número de mortes violentas de indígenas registradas em 2008 pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em levantamento preliminar que comparou os dados do ano passado com os de 2007. O Estado apresentou 74 casos, dos quais 40 foram assassinatos e 34, suicídios. Sozinho, o Estado representou 75% dos assassinatos de indígenas registrados no País (53). Já o número de suicídios cresceu 54% ante 2007, quando foram registrados 22 casos no Estado. Apesar dos dados alarmantes, a região apresentou uma diminuição no número de assassinatos em 2008, que caíram de 53 para 40 casos. Segundo o levantamento, a grande incidência de mortes no Estado se deve aos conflitos por terra entre os índios da etnia guarani-caiová e fazendeiros. Segundo relatórios anteriores publicados, o Cimi considera a matança um genocídio. Outro Estado que preocupa o Cimi é Minas Gerais, que registrou quatro assassinatos de índios em 2008. Uma das vítimas foi o prefeito de São João das Missões, José Nunes de Oliveira, da etnia xacriabá. Em Pernambuco, o vereador Mozeni Araújo de Sá, líder do povo trucá, foi morto na cidade em que foi eleito, Cabrobó. O levantamento do Cimi aponta uma diminuição em cerca de 40% nos assassinatos registrados no País, de 92 casos em 2007 para 53 no ano passado. A diminuição não revela, no entanto, queda no número de conflitos entre indígenas e fazendeiros, que se intensificam nos últimos anos com a expansão do agronegócio, segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Além de assassinatos, o Cimi aponta que também houve graves casos de agressões em todo o País. No sul da Bahia, em outubro de 2008, a Polícia Federal feriu mais de 20 índios da etnia tupinambá com a utilização de um helicóptero e 25 viaturas, segundo o Cimi.

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