MPF vai apurar morte de paciente em hospital público

O Ministério Público Federal (MPF) vai apurar a denúncia da morte de uma paciente ocorrida em razão da falta de um tomógrafo no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), maior hospital público do sudoeste do Estado. A denúncia foi encaminhada por escrito, ontem, à Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa do Estado pelo médico urologista Saul Gun. Segundo ele, a paciente Wilma Vieira, de 35 anos, deu entrada no pronto-socorro do CHS, no último dia 9, em mau estado geral, trazendo um exame ultrassonográfico abdominal onde se via uma massa renal aumentada no lado esquerdo. A paciente tinha sido atendida em outro município, mas fora transferida porque exigia uma tomografia computadorizada abdominal. "O pedido desse exame foi encaminhado à assessoria da diretoria porque o tomógrafo do CHS está sem funcionar há tempos", informou Gun. Segundo ele, a responsável marcou o exame para o dia 10 de maio - 31 dias após o pedido - embora soubesse que o caso era grave e urgente. "A paciente, sem diagnóstico preciso, deixou-nos de braços amarrados, ficando os residentes a realizar somente exames subsidiários corriqueiros e com medicação de apoio", contou o médico. A doente teve seu quadro clínico agravado e morreu no dia 12 de abril. "Vimos a paciente morrer por falta de um mísero e simples exame tomográfico, para que pudéssemos intervir cirurgicamente, o que talvez evitasse essa morte desnecessária", relata o médico. No relatório encaminhado ao deputado Caldini Crespo (PFL), vice-presidente da comissão, o médico denuncia também o adiamento de cirurgias por falta de materiais e equipamentos. Na semana passada, cirurgias urgentes não foram realizadas por falta de soro fisiológico. O MPF vai realizar uma auditoria no hospital. O diretor técnico do CHS, José Mauro da Silva Rodrigues, informou que a morte da paciente está sendo investigada por uma comissão interna, que avalia todos os óbitos. Sobre a falta do equipamento, disse que o hospital aguarda a chegada de dois novos tomógrafos. Rodrigues afirmou que, apesar das dificuldades, não há precariedade de atendimento. O CHS atende mensalmente a 20 mil pessoas, realizando 1.200 internações e 500 cirurgias, sendo 400 de média e alta complexidade.

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