MPF quer saber se Waldomiro intermediou contrato

O Ministério Público Federal (MPF) abrirá nesta quinta-feira um novo processo contra o ex-subschefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz para investigar a participação dele na renovação de um contrato entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a multinacional Gtech, fornecedora de equipamentos e serviços usados no processamento de dados das casas lotéricas.Segundo apuraram os procuradores, Waldomiro teve pelo menos um encontro com o suposto bicheiro Carlos Augusto Ramos, o "Carlinhos Cachoeira", para tratar sobre esse assunto. "Carlinhos Cachoeira" afirmou ao Ministério Público (MP) que a divulgação da fita na qual o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil pedia propina foi uma forma de se vingar dele, que o teria traído durante as negociações com a Gtech.Segundo noticiado nesta quarta-feira pelo jornal O Globo, Waldomiro fez pré-contratos com a Gtech, que ficaria encarregada de repassar as loterias estaduais para o controle dele e, em troca, receber ajuda na renovação do contrato com a Caixa. A Gtech informou que foi "Carlinhos Cachoeira" quem fez os primeiros contatos com a empresa para oferecer algumas "idéias", que foram rejeitadas pelos executivos.Caixa garante que não foi pressionadaA diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF) negou que tenha tido qualquer influência de Waldomiro Diniz para prorrogar o contrato com a Gtech. "Se ele (Diniz) fez contato com a Gtech, não foi com patrocínio da diretoria da Caixa ou do governo", disse um dos vice-presidentes do banco, Carlos Borges, responsável pela área de transferência de benefícios e lotéricas.As tratativas para prorrogação do contrato com a empresa iniciaram-se ainda em 2002, antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas só foram concluídas em abril de 2003. "Todas as negociações que antecederam a prorrogação do contrato aconteceram nas dependências da Caixa, com a participação de representantes das áreas jurídica e operacional, e sem interferência de qualquer pessoa alheia ao quadro da instituição", diz uma nota oficial divulgada pela Caixa.

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