MPF pede intervenção judicial em laboratório de Cachoeira

Vitapan ainda opera e estaria irrigando financeiramente o esquema do contraventor

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo,

24 Maio 2012 | 20h25

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal (MPF) pediu a intervenção judicial na Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda., da ex-mulher e do ex-cunhado do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O laboratório ainda opera e estaria irrigando financeiramente o esquema do contraventor.

Parecer da Procuradoria Regional da República da 1.ª Região remetido à Justiça Federal pede a manutenção do sequestro dos ativos financeiros e a nomeação de um administrador com a finalidade de tornar viável o funcionamento do laboratório. Caso a Justiça não nomeie um interventor, o MPF pede que os atuais administradores sejam obrigados a prestar contas periódicas à Justiça. Por liminar, o desembargador federal Tourinho Neto autorizou desbloqueio de quatro contas do laboratório.

"Os elementos colhidos na investigação, especialmente nas interceptações telefônicas, indicam que Cachoeira é o gestor de fato da Vitapan porque os telefonemas mantidos com sua atual mulher e com sua ex-mulher apontam que o contraventor é quem, efetivamente, administra, por meio de sua ex-mulher, Andréa Aprígio, e de seu ex-cunhado, Adriano Aprígio, mesmo não figurando, atual e formalmente, em seu quadro societário", diz o documento. Segundo a PF, Cachoeira entra como sócio em 1999. Nos cinco anos que figurou no contrato social, o capital da empresa passou de R$ 500 mil para R$ 5,2 milhões.

Venda. Em um dos diálogos citados, gravado em 6 de maio de 2011, Andréa e Cachoeira conversam sobre a possível venda do laboratório. Andréa diz que a Vitapan vale R$ 96 milhões e Cachoeira diz que não dá para vender por menos de R$ 100 milhões. Vinte dias depois, Cachoeira comenta com a atual mulher, Andressa Mendonça, que o ex-cunhado estaria se separando. "Depois te falo. Esse negócio é importante para mim. Imagina se a mulher inventa de pegar metade dos trem do Adriano?", diz. Andressa responde: "Ela vai pegar. Isso é fato, esquece. Ela tem direito." E Cachoeira: "Não fala um negócio desse senão eu morro".

Segundo o procurador Carlos Alberto Vilhena, há fortes indícios de que Andréa e Adriano são "laranjas", que ocultam a origem do patrimônio supostamente ilícito pertencente, de fato, a Cachoeira. As investigações mostram que ele usaria a indústria para reinserir valores, já com aparência lícita, no mercado. O MP não afasta a possibilidade de introdução no sistema econômico de valores originários de prática criminosa por meio da Vitapan.

A reportagem tentou falar com Andréa nesta quinta, mas ela não atendeu às ligações. A reportagem também não conseguiu falar com um representante do laboratório. Na defesa, a Vitapan afirma que não há demonstração de desvio, nem confusão patrimonial, e que este ano a Anvisa certificou que o laboratório é periodicamente inspecionado e monitorado e que cumpre as Boas Práticas de Fabricação. Sustenta ainda que o bloqueio está liquidando a empresa.

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