MPF investiga novos envolvidos na chacina de Unaí

O Ministério Público Federal não descarta a possibilidade de outras pessoas estarem envolvidas como mandantes do assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho em Unaí, noroeste de Minas, no dia 18 de janeiro. A revelação foi feita hoje pela procuradora Miriam do Rozário Moreira Lima, uma das autoras da denúncia contra os nove acusados de envolvimento na chacina. Ela admitiu que outros fazendeiros da região onde ocorreram os crimes estão sendo investigados, mas evitou entrar em detalhes. Segundo a procuradora, a "cadeia de execução" dos assassinatos já está fechada. "Agora, em relação ao mandante, pode ser (que hajam outros fazendeiros envolvidos), porque todos eles foram fiscalizados, há ameaças de todos os lados em relação aos fiscais do trabalho. Então, a gente quer fechar essa questão, esperando que sejam cumpridas as diligências requeridas pelo Ministério Público".Durante o inquérito, a Polícia Federal já havia investigado a suspeita de que fazendeiros teriam formado um "consórcio" para financiar as execuções, que teriam custado, segundo a acusação, cerca de R$ 45 mil. Os irmãos Norberto e Antério Mânica, megaprodutores de grãos na região de Unaí, foram denunciados como mandantes da chacina. Antério, candidato a prefeito de Unaí pelo PSDB, prestou depoimento ontem ao juiz Francisco de Assis Betti, titular da 9ª Vara da Justiça Federal em Minas."Sou inocente", disse o fazendeiro ao chegar ao prédio da Justiça Federal. O interrogatório teve início no final da manhã e só terminou no início desta noite. Ao contrário do irmão, ele não se recusou a responder às perguntas do magistrado. Na parte da tarde, o fazendeiro foi questionado sobre suas relações com o cerealista Hugo Alves Pimenta e seu empregado, José Alberto de Castro, apontados como intermediários dos crimes. Antério admitiu que ele e seu irmão mantinham negócios com Pimenta, mas afirmou que encontrou neste ano apenas uma vez com o cerealista, para "pedir apoio político". O fazendeiro disse também que utilizava muito pouco o Fiat Marea que pertence à sua mulher, Bernardette. De acordo com as investigações, um dia antes da chacina, um veículo do mesmo modelo teria seguido o carro de José Alberto de Castro num suposto encontro com os executores. No mesmo dia, propriedades da família Mânica teriam sido fiscalizadas pelos auditores.Preso no último dia 16, o fazendeiro foi o último acusado a depor. Além dele e de Norberto Mânica, outras sete pessoas denunciadas por envolvimento na chacina estão presas na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.

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