MPF e AGU entram com ação contra ex-reitor da Unifesp

Ulysses Fagundes Neto pediu demissão do cargo após acusações de mau uso dos cartões corporativos

Elvis Pereira, do estadao.com.br

26 de agosto de 2008 | 18h27

O Ministério Público Federal (MPF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) entraram nesta terça-feira, 26, com uma ação civil pública na Justiça Federal paulista contra o ex-reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ulysses Fagundes Neto, o vice-reitor, Sérgio Tufik, o chefe de gabinete da reitoria, Reinaldo Salomão, e a ex-chefe de gabinete Lucila Amaral Carneiro Vianna. Eles são acusados de improbidade administrativa. Na ação, é pedido o bloqueio dos bens e a quebra dos sigilos bancários e fiscal deles.   Veja Também: Entenda a crise dos cartões corporativos    O MPF e a AGU solicitam, ainda, o afastamento de Neto, Tufik e Salomão de suas funções. Neto, no entanto, já renunciou na segunda, 25. Segundo o MPF, o procurador Sergio Suiama, autor da ação, afirmou que os acusados "vêm atuando com claro propósito de dificultar a apuração das ilegalidades praticadas". Para Suiama, a improbidade está caracterizada pelas 13 viagens do ex-reitor ao exterior entre 2006 e 2007 e pelo uso irregular do cartão corporativo em despesas pessoais nacionais. Além disso, Neto, que é pediatra, teria violado o regime de dedicação exclusiva ao realizar consultas em seu consultório na Vila Mariana, na zona sul da capital.   O MPF pede que todos os acusados sejam condenados a devolver à Unifesp os valores recebidos indevidamente pelo ex-reitor, além da perda dos bens e valores acrescidos ilicitamente aos seus patrimônios, perda de função pública e suspensão dos direitos políticos por até dez anos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público. Tufik, Salomão e Lucila teriam participado das supostas irregularidades por terem autorizado o pagamento de diárias, passagens e do cartão corporativo.     Demissão   A assessoria de Neto disse ao estadao.com.br que, devido ao envolvimento de seu nome nas investigações, o ex-reitor "achou melhor se afastar para se dedicar à sua defesa". Matéria do jornal O Globo em abril mostrou que, em um ano e meio o reitor gastou quase R$ 80 mil em compras de cosméticos, material esportivo, aluguel de carro e diárias em hotéis, um deles na Disney, em Orlando (EUA).   Acusado de hospedar-se num hotel da Disney e pagar a conta com o cartão, o reitor apresentou documentos mostrando que o motivo da viagem a Orlando, nos Estados Unidos, de 17 a 22 de outubro de 2006, não foi lazer nem férias. Ele instalou-se como hóspede no Lake Buena Vista, um dos estabelecimentos do complexo Disney, porque foi lá o 19º Encontro Anual da Sociedade Norte-Americana de Gastroenterologia Pediátrica, do qual o reitor, que é médico desta especialidade, participou como palestrante, autorizado pelo ministério.   Em abril, ele já devolveu R$ 85,5 mil à administração federal. A primeira vez que Fagundes Neto usou o cartão corporativo foi em junho de 2006, na Alemanha. Empenhado em trazer para o Brasil o 3º Congresso Mundial de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição, o reitor não só apresentou um trabalho científico no 2º congresso, em Grenden, como se reuniu com colegas da Federação Internacional das Sociedades de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição (FISPGHAN), que o ajudam a organizar o evento seguinte no Brasil.   O reitor foi convocado a depor na CPI Mista dos Cartões Corporativos, mas adiou depoimento alegando compromissos agendados antes de ter sido convocado.   Vice-campeão   Em matéria do Estado de abril, Ulysses aparece como vice-campeão de gastos com o cartão nos fins de semana, ficando atrás apenas da ex-ministra Matilde Ribeiro. Levantamento do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sub-relator de Sistematização da CPI dos Cartões mista, aponta pagamentos com cartão do governo de R$ 51.269,04, somente aos sábados e domingos, entre julho de 2006 e janeiro deste ano. Em seguida vem o reitor da Universidade Federal de São Paulo, Ulisses Fagundes Neto, que gastou com cartão corporativo, apenas nos fins de semana entre junho de 2006 e janeiro de 2008, R$ 37.282,90.

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