MPF deve assumir caso Banpará

O Ministério Público Federal já tem motivos suficientes para assumir o processo envolvendo o desvio de R$ 10 milhões do Banco do Estado do Pará (Banpará), em que o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), é acusado de envolvimento.Toda a dívida contraída pela instituição com o Banco Central pertence ao Tesouro Nacional. Segundo o relatório do BC, feito em 1988 pelo inspetor Abrão Patruni Júnior, o Banpará utilizou reserva bancária do BC para acobertar os desvios.Só após análise dos técnicos do BC Nelson Rodrigues de Oliveira e Antônio Benito de Souza, que estão em Belém, é que a comissão de promotores do Pará vai definir a linha de atuação, já que parte do processo e futuras ações também devem ser abertas pelo Ministério Público Federal. Os técnicos reuniram-se durante toda esta segunda-feira com os integrantes do Ministério Público Estadual.Por causa das trocas de moeda até 1994 ainda não se sabe exatamente quanto foi desviado do BC para o Banpará. Mas, segundo o relatório de Patruni, foram feitas sucessivas operações de uso de reservas.A dívida foi assumida pelo Tesouro em 1988, quando o Banpará entrou em regime de administração especial temporária. Hoje, o Tesouro é um dos quatro maiores credores do banco. Os outros três são Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e Banco da Amazônia.O promotor estadual João Gualberto dos Santos da Silva admitiu nesta terça-feira que houve realmente desvios. Mas evitou falar sobre beneficiários e o destino do dinheiro - que seriam 11 contas no Banco Itaú, no Rio. "O desvio houve, mas temos que saber para quem."O trabalho de análise dos documentos pelos técnicos do BC deve durar até amanhã, quando será apresentado o relatório que vai direcionar as investigações dos promotores. Uma linha de apuração é o rastreamento de aplicações que culminaram com a abertura das contas no Rio.

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