MPF denuncia Daniel Dantas por crimes ligados ao 'valerioduto'

Peça teria detalhes de como o grupo Opportunity financiou o mensalão quando controlava a Brasil Telecom

Solange Spigliatti, da Central de Notícias, e Anne Warth, da Agência Estado,

06 de julho de 2009 | 07h39

O banqueiro Daniel Dantas, controlador do grupo Opportunity, foi denunciado neste domingo, 5, pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa. Outras 13 pessoas ligadas a Dantas também foram denunciadas. O MPF, no entanto, não pediu a prisão de nenhum dos envolvidos. A denúncia, segundo o MPF, mostra em detalhes como o Opportunity, na época em que controlava a Brasil Telecom, financiou o "valerioduto", suposto esquema montado em 2006 pelo empresário Marcos Valério de Souza e investigado no caso do mensalão.

 

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A procuradoria da República solicitou ainda a abertura de três novos inquéritos policiais pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, da Polícia Federal (PF), para investigar fatos relacionados à Satiagraha. O procurador Rodrigo De Grandis, em manifestação anexa, pede que seja aprofundada a participação do ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh e de Carlos Rodenburg, que comanda o braço agropecuário do grupo Opportunity. Grandis afirmou que Dantas e os demais acusados "constituíram um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

 

Foram denunciados, além de Daniel Dantas, Verônica Valente Dantas, sócia e irmã do banqueiro, Dório Fernan, presidente do Banco Opportunity, Itamar Benigno Filho, diretor do banco, Danielle Silbergleid Ninnio, ex-assessora jurídica da BRT, Norberto Aguiar Tomaz, diretor do banco, Eduardo Penido Monteiro, diretor do banco, Rodrigo Bhering Andrade, diretor de empresas ligadas ao grupo, Maria Amália Delfim de Melo Coltrin, conselheira de empresas do grupo, Humberto José Rocha Braz, ex-diretor da BRT e consultor do Grupo Opportunity, Carla Cicco, ex-presidente da BRT, Guilherme Henrique Sodré Martins, lobista do Opportunity, Roberto Figueiredo do Amaral, lobista do Opportunity, e Willian Yu, consultor financeiro.

 

O banqueiro chegou a ser preso duas vezes pela Polícia Federal (PF) em julho do ano passado, durante a Operação Satiagraha, deflagrada para combater um suposto esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Nesta quarta-feira, 8, completa um ano que Dantas foi preso pela primeira vez pela PF, durante a Satiagraha. Depois de obter a liberdade, junto ao Supremo Tribunal Federal, por meio de um habeas-corpus, ele voltou a ser preso pela tentativa de suborno a um delegado, mas, novamente, foi solto após outro habeas-corpus do STF.

 

O Ministério Público arrolou 20 testemunhas, entre elas o presidente da Santos-Brasil, Wady Jasmim, e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que foi 'trustee' (figura jurídica que existe nos EUA e que atua como representante dos interesses de uma empresa) do grupo Opportunity nos Estados Unidos.

 

Mensalão

 

O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado em 2005 por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério.

 

Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos. O mensalão resultou ainda em processo contra 39 envolvidos no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Texto ampliado às 16h39

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