MPF acusa Jader de vínculo com quadrilha

O Ministério Público Federal (MPF) acusou o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), de estar vinculado a uma "organização criminosa" montada na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).Jader é citado em ofício encaminhado pela Procuradoria da República no Tocantins ao Supremo Tribunal Federal (STF).O parecer indica que ele estaria ligado a um esquema de fraudes desencadeado na autarquia, de 1998 até o início deste ano.O procurador da República no Tocantins, Mário Lúcio de Avelar, transfere para o STF a responsabilidade de apurar o caso, pois há indícios de envolvimento de dois parlamentares.Jader foi citado na maior parte dos nove depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) em Altamira (PA) - um dos redutos eleitorais dele - e em Palmas, onde se concentraram as investigações."Depoimentos anotam a estreita ligação entre o senador Jader Barbalho e o deputado federal José Priante (PMDB-PA) - primo de Jader - com a rede de fraudes e propinas, inclusive trazendo detalhes da operação, quantias, percentuais e nomes de agenciadores, beneficiários diretos e indiretos", informa o ofício ao Supremo.O Ministério Público entende que existiam dentro da Sudam duas organizações criminosas. "Uma estaria vinculada ao comando de Jader e tinha, como executivos diretos, Priante e a contadora Maria Auxiliadora Barra Martins", explica Avelar.O segundo grupo, mais recente, segundo ele, estaria vinculado a ex-funcionários do Ministério da Integração Nacional, recém-demitidos. Entre eles, o ex-secretário-executivo Benivaldo Alves de Azevedo e o contador Geraldo Pinto da Silva.Para justificar o envolvimento de Jader, o MPF cita também a quebra de sigilo telefônico de outros suspeitos: Maria Auxiliadora, Silva e os irmãos José Soares Sobrinho e Romildo Onofre Soares.Das 60 mil ligações feitas por eles, de maio de 1998 a maio deste ano, um número expressivo é para Jader, Priante e os assessores dele.Foram realizadas 69 buscas e apreensões em empresas e residências, em 11 Estados. Documentos encontrados comprovariam os depoimentos.Segundo o ofício, o material mais comprometedor são papéis e anotações obtidos na casa do ex-superintendente da Sudam José Arthur Guedes Tourinho, em Brasília, e a agenda de Maria Auxiliadora.O Ministério Público indica Altamira como o centro das fraudes. Além disso, sugere investigação das autoridades e revela que "se tem clara e presente a vinculação entre as fraudes na Sudam e a quase totalidade do diretório do PMDB de Altamira, onde se concentra número expressivo de projetos da autarquia".Silva e Maria Auxiliadora foram responsáveis por grande parte dos projetos da Sudam entre 1996 e 2001. Eles são acusados de parte das irregularidades e tiveram os bens bloqueados pela Justiça.No documento, o Ministério Público pede que o STF analise os casos referentes às autoridades com foro privilegiado e cita, nominalmente, o ex-ministro da Integração Nacional e senador Fernando Bezerra (PMDB-RN).O ofício não apresenta, no entanto, nenhuma prova de que ele seria um beneficiário.Hoje, os advogados de Jader entraram com uma representação no Supremo pedindo que o inquérito policial seja requisitado pela corte.Segundo a defesa, o senador é investigado, informalmente, pela PF, mesmo não tendo sido inquirido. "O inquérito corre à sua revelia", alegaram.

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