MPF abrirá inquérito para investigar sumiço de documentos sobre preso político

Documentação que registraria a passagem de Raul Amaro Nin Ferreira pelo Hospital Central do Exército não foi encontrada; ele foi morto em 1971 nas dependências do hospital

Fabio Grellet, Estadão Conteúdo

14 de novembro de 2014 | 19h28

Rio - O Ministério Público Federal (MPF) pedirá a instauração de um inquérito policial para apurar crime de supressão de documentos - cuja pena é de 2 a 6 anos de reclusão - que registrariam a passagem de Raul Amaro Nin Ferreira pelo Hospital Central do Exército, em Benfica, na zona norte do Rio. Ferreira foi preso político e morto em 12 de agosto de 1971 nas dependências do hospital.

Nesta sexta, integrantes do MPF, auxiliados por agentes da Polícia Federal, fizeram uma busca, autorizada pela Justiça, no hospital, à procura dos documentos. A ordem de busca e apreensão foi obtida após suspeita de que servidores do hospital houvessem escondido esses documentos antes da inspeção promovida em setembro passado por integrantes das comissões Nacional e Estadual da Verdade, que nada encontraram a respeito de Raul. Nesta sexta, mais uma vez, não foi localizado registro da passagem dessa vítima da ditadura pelo hospital.

Por isso, o MPF vai requisitar a instauração do inquérito policial. Na busca realizada nesta tarde foram localizados um dossiê com notícias e documentos referentes a Ferreira, uma pasta com nomes e fotografias dos integrantes das comissões Nacional e Estadual da Verdade e prontuários antigos. No arquivo oficial, os documentos mais antigos eram de 1983. Mas prontuários de 1940 a 1969 e de 1975 a 1983 estavam em uma sala trancada, em um prédio anexo do Hospital Central do Exército.



Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.