MPE pede quebra de sigilo bancário e telefônico de Maluf

O Ministério Público Estadual entrega, nesta quinta-feira, à Justiça pedido de quebra do sigilo bancário e telefônico do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), do filho dele, o empresário Flávio Maluf, e de outras 20 pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas em um esquema de superfaturamento de obras públicas e remessa de recursos para paraísos fiscais.Os promotores de Justiça da Cidadania que investigam o caso descobriram que trabalhadores braçais - operários e até uma empregada doméstica - foram usados como laranjas para constituição de pequenas e médias empresas que tinham a missão de emitir notas fiscais frias para o caixa 2 de grandes empreiteiras.Por meio de uma ação cautelar de exibição de provas que será apresentada à 4ª Vara da Fazenda Pública - onde tramita ação de seqüestro de valores de Maluf na Suíça e na Ilha de Jersey -, os promotores Saad Mazloum, Silvio Antonio Marques, Luiz Salles e José Carlos Blat pedem uma devassa na movimentação financeira do ex-prefeito e de duas das principais construtoras do País, a OAS e a Mendes Jr., integrantes dos consórcios responsáveis pelas obras do Túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada - polêmicos empreendimentos da administração Maluf (1993- 1996).Laudos do Setor de Perícias do Centro de Acompanhamento e Execuções do Ministério Público indicam que teria havido sobrepreço de R$ 221 milhões nas duas construções. Maluf afirma que não houve irregularidades e nem superfaturamento nas duas obras.A investigação teve início com a denúncia do ex-coordenador administrativo-financeiro da Mendes Jr., Simeão Damasceno de Oliveira, que afirmou ter havido pagamento de comissão a "Maluf e assessores" no montante equivalente a 37% do valor que teria sido desviado das obras.Simeão entregou cópias de cheques da empreiteira e apontou os nomes de sete empresas que foram contratadas em regime de subempreitada para os trabalhos na Água Espraiada - apenas uma delas teria atuado na construção; as outras seis cuidavam exclusivamente de emitir notas fiscais frias.Os promotores identificaram os nomes das pessoas que aparecem como "sócias" das empresas. Entre elas, há uma doméstica. "Eu sou apenas uma empregada, moro numa favela em Santo Amaro e não tenho dinheiro para comprar empresa", declarou a testemunha, que se revoltou quando soube da inclusão de seu nome na composição acionária da empresa.Um operário também depôs aos promotores: "Nunca fiz parte de nada, eu nem sabia que tinha essa empresa."A Mendes Jr. alega ser vítima de uma tentativa de extorsão por parte de Simeão, que foi indiciado em inquérito na 5ª Delegacia de Polícia. A direção da construtora assegura "não temer" as denúncias de Simeão. A OAS não se manifestou sobre o pedido de quebra do sigilo.A assessoria do ex-prefeito chamou o denunciante de "chantagista mentiroso" e alertou que vai processar Simeão por danos morais. O advogado Ricardo Tosto, que coordena a defesa de Maluf, foi categórico: "A quebra do sigilo não vai levar a nada."

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