MP vai ouvir filha de FHC sobre uso de avião da FAB

O procurador da República, Luiz Francisco de Souza, vai convocar a filha do presidente Fernando Henrique Cardoso, Luciana, proprietária da fazenda Córrego da Ponte, invadida pelos sem-terra no último sábado, para explicar por que ela usou o avião Xingu, da Força Aérea Brasileira, para voar para Buritis (MG) a fim de verificar os estragos causados à casa.Para o procurador, a filha do presidente pode ser processada por improbidade administrativa se ficar caracterizado que a viagem não teve finalidade pública.O secretário-geral da Presidência, ministro Arthur Virgílio, disse que Luciana ?é funcionária do Palácio do Planalto e poderia ter ido lá como outro funcionário qualquer?. Virgílio afirmou que o MST disse que invadiu a fazenda justamente porque ela é da família do presidente. Luciana Cardoso é secretária particular do presidente e administra a fazenda da família.Depois de declarar que o problema do procurador Luiz Francisco é que ele sempre parte do pressuposto de que todos são desonestos, o ministro salientou que a fazenda Córrego da Ponte foi classificada como residência oficial do presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, por isso mesmo, tem direito a várias regalias, como segurança. ?Uma hora reclamam porque não tem segurança e agora reclamam porque está sendo tratado como patrimônio federal?, disse.A polêmica surgiu porque, na terça-feira, Luciana Cardoso, a bordo do avião da FAB, foi a Buritis para fazer uma vistoria dos danos causados à fazenda, acompanhada de seguranças e de técnicos de comunicações, já que todo o sistema de telefonia, por exemplo, foi danificado.?O despacho do ministro Nelson Jobim, do STF, deixou claro que a residência utilizada pelo presidente da República é oficial?, disse um assessor do presidente. ?Se você pode usar aviões da FAB para fazer segurança da fazenda, pode também usar para levar funcionários da Presidência para fazer vistoria do que foi estragado?, afirmou o auxiliar do presidente, salientando que Luciana foi mandada lá porque ela, além de ser filha de Fernando Henrique, é a administradora e dona da fazenda. ?Se ele tem tanta convicção de que ela cometeu coisa errada, que entre com a ação?, disse.O pedido de explicações a Luciana Cardoso será apresentado por Luiz Francisco na segunda-feira. Na visão do procurador, apenas altos funcionários podem usar os aviões da FAB, conforme a regulamentação e o uso, na sua opinião, foi particular. Segundo Luiz Francisco, se Luciana não aceitar o convite para apresentar explicações, poderá ser convocada.Virgílio considerou a iniciativa do procurador ?uma homenagem ao governo?, porque mostra que a corrupção está controlada e, na falta de assunto melhor para apurar, Luiz Francisco fica questionando a legalidade da vistoria da casa invadida pelo MST. ?Tudo isso é perfumaria?, disse Virgílio, salientando que foi por causa do próprio MST que a fazenda virou área federal. ?A cafajestice que aconteceu lá é que tem de ser vista?, disse. Em junho de 1999 Luiz Francisco moveu ações na Justiça contra oito ministros do governo Fernando Henrique por uso particular de aviões da FAB.

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