MP recorrerá da decisão contra prisão de Dantas no caso Kroll

Pedido foi negado na 5ª; banqueiro é acusado de contratar a Kroll Associates para espionar a Telecom Itália

da Redação,

18 de julho de 2008 | 16h36

O Ministério Público Federal em São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 18, que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) contra a decisão da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que negou novo pedido do de prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas acusado de ter contratado os serviços da Kroll Associates para espionar a Telecom Itália. Veja também: Justiça nega novo pedido de prisão contra Dantas no caso KrollDantas espionou juízes paulistas, afirma PF  Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas No recurso, o MPF alega que há fato novo porque o banqueiro "comandou o suborno de US$ 1 milhão ao delegado Vitor Hugo Ferreira, oferecido por Henrique Braz e Hugo Chicaroni, visando retirar seu nome, o da irmã, Verônica, e de um parente das investigações". No entendimento dos procuradores, Dantas voltou a corromper agentes públicos em busca de vantagens ilegais. O pedido foi formulado no último dia 11 de julho pelas procuradoras da República Anamara Osório Silva, Ana Carolina Yoshi Kano e Kleber Marcel Uemura, responsáveis, no MPF, pelas três ações penais do caso. O pedido foi motivado pela reiteração da prática criminosa. Ou seja, no caso específico, Dantas voltou a corromper agentes públicos em busca de vantagens ilegais.Os procuradores afirmam ter formulado o pedido, uma vez que a reiteração de crime é uma das razões que dá causa à prisão preventiva para garantia da ordem pública. As provas encontradas e o depoimento de Chicaroni motivaram, no dia 10, a prisão preventiva de Daniel Dantas (revogada no dia seguinte pelo STF) e, no último dia 15, a abertura de novo processo criminal contra o banqueiro.A prisão de Dantas foi pedida no processo do Caso Kroll, de 2005, no qual Dantas é acusado dos crimes de divulgação de segredo e corrupção ativa. O processo aponta que Dantas ordenou o pagamento de propina a uma servidora da Delegacia de Crimes Financeiros da PF para que ela passasse informações sobre uma investigação da PF para o filho, que trabalhava na Kroll, contratada por Dantas apara investigar ilegalmente a Telecom Italia, segundo a ação. Ainda no caso Kroll, Dantas responde a um segundo processo pelo crime de grampo ilegal.Outro motivo que ensejou o pedido do MPF para a prisão preventiva de Dantas foi a hipótese levantada por Henrique Braz e Hugo Chicaroni para que a PF, além de tirar o banqueiro da investigação, iniciasse uma investigação sobre Luis Roberto Demarco, ex-sócio do banqueiro e seu adversário há vários anos. Demarco foi um dos alvos dos grampos ilegais dos quais o empresário é acusado, segundo informou o MPF.

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