MP recebe inquérito que indicia Taniguchi

O juiz substituto da 1ª Vara Eleitoral de Curitiba, Jorge de Oliveira Vargas, enviou hoje ao Ministério Público Eleitoral o inquérito em que o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, foi indiciado por crime eleitoral pela Polícia Federal. O juiz entendeu que uma liminar concedida pelo juiz Jaime Stivelberg, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), suspendendo o indiciamento, chegou tarde. "A liminar foi para sustados os atos que levaram ao indiciamento, mas quando ela saiu o indiciamento já havia sido realizado", disse. O advogado Antenor Demeterco Neto, um dos que defendem o prefeito, sustentou que o indiciamento é ilegal. Ele entrou com um pedido para que o TRE remeta o processo ao procurador regional eleitoral, que ele considera ter competência para analisá-lo e apresentar ou não denúncia. O promotor da 1ª Vara Eleitoral de Curitiba, Valclir Natalino da Silva, que está com o processo, disse hoje que deverá demorar mais que os três dias previstos em lei para analisá-lo. Ele pode remetê-lo ao procurador regional eleitoral, pedir o arquivamento ou apresentar denúncia. Segundo Natalino, caso haja julgamento na Justiça Eleitoral, a sentença pode ser severa. "Em tese, pode ocorrer até a perda do mandato, tanto do prefeito quanto do vice", disse. O vice-prefeito, Beto Richa (PSDB), é candidato ao governo do Estado. Supresa Taniguchi afirmou hoje ter se sentido "surpreso" e "constrangido" com a informação do seu indiciamento pela Polícia Federal. "Essa decisão tem mais uma vez cunho essencialmente político, para não dizer politiqueiro", afirmou. "Antes de alguém ser indiciado, precisa ser ouvido." Na manhã desta quarta-feira, o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Juliano Maciel, disse que o indiciamento do prefeito deve-se ao fato de a lei eleitoral afirmar que o candidato é o responsável pelas informações financeiras. Segundo ele, o prefeito não compareceu na primeira data para ser ouvido, no dia 5. "Como o inquérito pode ser feito na própria Justiça, o dr. Hugo (delegado Hugo Martins, responsável pelo inquérito) achou por bem encerrá-lo para que a Justiça veja a necessidade ou não de sua oitiva", disse Maciel. Segundo Maciel, o inquérito tem vários documentos, mas apenas um é original. "Os documentos em xerox não foram levados em conta por não terem valor", afirmou. O superintendente disse que a base do inquérito são notas fiscais apresentadas pelo proprietário da Editora O Estado do Paraná, Paulo Pimentel, que é candidato a senador pelo PMDB, partido adversário do PFL no Estado. Pelos recibos entregues por Pimentel, o PFL teria gasto na editora pouco mais de R$ 74,7 mil, enquanto ao TRE declarou ter pago R$ 21 mil pelos mesmos serviços. Na denúncia que chegou primeiramente ao Ministério Público Estadual e posteriormente à Polícia Federal, o PFL é acusado de ter omitido a declaração de R$ 29,8 milhões. A acusação baseia-se na cópia de um livro-caixa, em que o ex-tesoureiro da campanha, Francisco Paladino Júnior, teria anotado as entradas e saídas de dinheiro. Pelo livro, o partido gastou R$ 32,9 milhões, enquanto declarou ao TRE R$ 3,1 milhões.

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