MP prepara investigação sobre contas do PFL no PR

Os Ministérios Públicos Estadual e Federal do Paraná vão investigar possíveis irregularidades na prestação de contas da coligação Movimento Curitiba Sempre com Você, que elegeu o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), no ano passado, em Curitiba. Segundo denúncias, a coligação omitiu gastos de quase R$ 30 milhões na declaração ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O PMDB deve encaminhar aos dois órgãos a documentação que possui e que comprovaria as irregularidades. "O Ministério Público tem obrigação de agir, porque se houve crime eleitoral é de alçada pública", disse o procurador Danilo de Lima, que responde por questões eleitorais no MPE. "Mas ainda não dispomos dos documentos, por isso não há elementos para formar uma opinião a respeito." No Ministério Público Federal (MPF), também deve ser aberto inquérito, para analisar as questões eleitorais e se houve sonegação fiscal ou lavagem de dinheiro por parte de empresas que supostamente depositaram dinheiro em um caixa-dois da campanha. As denúncias baseiam-se em um livro-caixa manuscrito, com 89 páginas, que vão desde o dia 31 de julho até 22 de dezembro, onde aparecem dezenas de valores que teriam entrado e saído do comitê. A soma dos gastos chega a quase R$ 33 milhões, enquanto a coligação declarou ao TRE ter gasto pouco mais de R$ 3 milhões. Algumas empresas aparecem como tendo contribuído e, depois, recebido os valores novamente. Em razão de algumas dessas empresas serem prestadoras de serviços para a prefeitura de Curitiba, o vereador Paulo Salamuni (PMDB), líder das oposições, defende a instalação de uma CPI. "Precisamos aprofundar as questões que dizem respeito às coisas de Curitiba", justificou. "Precisamos ver se há nexo causal entre essas três ou quatro empresas que são fornecedoras." As oposições precisam de apenas um voto para somar os 12 necessários para protocolar o pedido de CPI. Segundo Salamuni, a CPI pode resultar em uma Comissão Processante, que indicaria o impedimento do prefeito. No entanto, os aliados do prefeito entendem que não há motivo para a instalação da CPI. "É desnecessária a CPI, e eu considero ação totalmente inoportuna", diz o líder do prefeito na Câmara, vereador Mário Celso (PFL). "Por enquanto, é apenas denúncia vazia, no meu ver infundada, sem nenhum documento original, que não comprova nada." O diretório municipal do PFL divulgou uma nota para "repelir, de forma veemente, as acusações levianas e irresponsáveis". "O PFL aprovou integralmente a prestação de contas elaborada pelo Comitê Financeiro, legalmente constituído junto à 1ª Zona Eleitoral", diz a nota. Segundo o partido, as denúncias tentam apenas "assacar contra a honra do prefeito Cassio Taniguchi, lançando mão, para isso, de grosseiras falsificações". Ela repete o mesmo tom da nota distribuída pelo prefeito que afirma haver apenas uma prestação de contas "entregue ao TRE no prazo legal e integralmente, registre-se, aprovada sem ressalvas". Para ele, as denúncias têm "caráter unicamente político", visando denegrir sua honra. Taniguchi e o PFL prometem tomar medidas judiciais com relação às acusações.

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