MP pedirá quebra de sigilo bancário de Jader Barbalho

Depois de ter seus bens seqüestrados, o ex-presidente do Senado Jader Barbalho poderá também ter seu sigilo bancário quebrado. O pedido será feito nos próximos dias pelo Ministério Público Federal. Além do ex-senador, outras 58 pessoas também deverão ter suas contas bancárias devassadas. A intenção é saber o destino dos R$ 132 milhões desviados de 22 projetos financiados pela extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, quer o desmembramento do processo no qual Jader e seu sobrinho, o deputado federal José Priante (PMDB-PA), são acusados de envolvimentos nas fraudes. Brindeiro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de um novo inquérito contra Priante - que possui imunidade parlamentar - enquanto Jader permanece respondendo sobre o caso na Justiça de Tocantins.Os advogados de Jader ainda não recorreram do seqüestro dos bens do ex-senador, mas entraram com uma representação na Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª. Região, contra os juízes federais de Tocantins, Alderico Rocha Santos e Marcelo Albernaz, responsáveis pela decretação da prisão preventiva do ex-senador, há duas semanas. O advogado Eduardo Alckmin afirmou na ação, que os juízes tentaram causar constrangimento e impediram o acesso da defesa ao processo.Ainda esta semana, o Ministério Público Federal vai entrar com o pedido de quebra de sigilo de Jader e outros envolvidos nos escândalos da Sudam. Na denúncia acatada pela Justiça Federal, os procuradores da República em Tocantins, Mato Grosso e Pará relacionaram 20 projetos, todos localizados na região da Transamazônica, como sendo os principais incentivadores das fraudes.Pelos cálculos dos procuradores, entre 1998 e 1999, foram liberados em torno de R$ 547,3 milhões para 151 empreendimentos, sendo que nos 20, foram empregados R$ 132 milhões. "Os projetos pertencem diretamente à organização criminosa e são meros simulacros para amealhar recursos públicos mediante fraudes", afirmam os procuradores na deúncia.O procurador de Tocantins, Mário Lúcio de Avelar admitiu que a próxima iniciativa será mesmo esclarecer qual o destino final do dinheiro desviado da Sudam. "Isso só será possível com a quebra de sigilio bancário", confirma Avelar. No ano passado, o delegado federal Hélbio Dias Leite, que presidiu todos os inquéritos sobre a Sudam, chegou a pedir ao STF a devassa nas contas bancárias de Jader, Priante e da mulher do ex-presidente do Senado, Márcia Cristina Zaluth Centeno.

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