MP pede mais investigações sobre compra da casa de Yeda

Oposição no Sul apontou a possibilidade de irregularidades no negócio, fechado por R$ 750 mil em 2006

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2008 | 19h51

O procurador-geral do Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul (MPC/RS), Geraldo Costa Da Camino, encaminhou representação ao presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Porfírio Peixoto, requerendo a instauração de procedimento de fiscalização sobre a compra da casa da governadora Yeda Crusius (PSDB). A decisão de Da Camino foi tomada nesta quinta-feira, 14, depois de duas semanas de análise de representações encaminhadas pelo PT e pelo PSOL e PV, que apontaram a possibilidade de irregularidades no negócio, fechado por R$ 750 mil em dezembro de 2006, ao final da campanha política e antes da posse de Yeda como governadora do Estado. Os próximos passos da investigação não estão definidos. O TCE recebeu somente neste ano, pela lei 12.980/2008, sancionada pela própria Yeda, a atribuição de fiscalizar sinais exteriores de riqueza de agentes públicos e ainda não havia analisado caso semelhante. O presidente da casa, Porfírio Peixoto, convocará uma reunião do conselho na semana que vem para definir o rito. O encaminhamento dado por Da Camino ao caso frustra a expectativa do governo estadual, que gostaria de ver o assunto arquivado para não passar mais um tempo sob o desgaste provocado pela oposição e pela manutenção do tema, levantado pela CPI do Detran em abril, na imprensa. O advogado do casal Crusius, Paulo Olimpio Gomes de Souza, disse à Rádio Gaúcha que a governadora está tranqüila porque sabe que não cometeu irregularidades, mas reconheceu que o desgaste político prossegue. O procurador-geral explicou que os documentos oferecidos pelo advogado de Yeda e Carlos Crusius não foram suficientes para firmar convicção sobre o assunto. Apesar de verificar a necessidade de aprofundar a análise, não quis tornar públicos os pontos ainda em aberto alegando que isso quebraria o sigilo decretado para o caso e poderia violar dados de terceiros, as pessoas que compraram e venderam imóveis e automóveis para o casal. "É preciso deixar claro que não se está apontado a operação como irregular, apenas que há aspectos que merecem ser investigados", ressaltou Da Camino. Oposição Mesmo que o procurador-geral não tenha optado pelo caminho mais radical, que seria o de oferecer uma denúncia, a oposição considerou a ampliação das investigações como um avanço. "Todo o mundo já percebeu que o negócio está mal explicado", afirmou o líder do PT na Assembléia Legislativa, Raul Pont. "Como a governadora não esclarece nunca, é preciso que as instituições públicas façam uma investigação séria sobre o fato". O advogado do PSOL, Pedro Ruas, adotou discurso semelhante. "A sociedade tem o direito de saber como se deu a transação". Entre as dúvidas levantadas pelos três partidos estão a situação financeira de Yeda, que não tinha declarado possuir os R$ 750 mil do negócio em 2006 e alguns aspectos da transação que não estariam bem esclarecidos. Souza tem explicado que o casal vendeu um apartamento em Brasília, por R$ 380 mil, um apartamento em Capão da Canoa, por R$ 210 mil, e um automóvel Passat, por R$ 32 mil, para dar os R$ 550 mil da entrada e assumiu o compromisso de pagar mais R$ 200 mil quando o vendedor, Eduardo Laranja da Fonseca, resolver uma pendência judicial que tem com o Banco Itaú. Durante a CPI, o delegado de Polícia Luiz Fernando Tubino relatou aos deputados ter recebido informações de que o empresário Lair Ferst, um dos 40 réus do escândalo do Detran, teria pago R$ 400 mil do custo da casa de Yeda com sobras de campanha. Admitiu, no entanto, não ter provas do que dizia. A Polícia Federal, que investigou as irregularidades no Detran, não confirmou a existência do repasse. 

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