MP pede bloqueio de bens do PT e de Gilberto Carvalho

O Ministério Público pediu judicialmente bloqueio de bens no montante de R$ 5,3 milhões do PT e do filósofo Gilberto Carvalho, secretário particular do presidente Lula, por suposto envolvimento em esquema de propinas que teria operado na área de transporte coletivo durante a administração Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em janeiro de 2002.Por meio de ação civil pública, distribuída para a 7.ª Vara Cível do Fórum de Santo André, os promotores Roberto Wider Filho, Adriana Ribeiro Soares de Morais e Amaro José Thomé Filho sustentam que um grupo de empresários e agentes políticos municipais violou a Lei de Improbidade Administrativa.Além de Carvalho e do PT são acusados solidariamente na ação os empresários Sérgio Gomes da Silva - ex-segurança de Daniel -, Ronan Maria Pinto, Irineu Nicolino Martin Bianco, Humberto Tarcísio de Castro, Luiz Marcondes de Freitas Júnior, o ex-vereador petista Klinger Luiz de Oliveira Souza, e a empreiteira Projeção Engenharia Paulista de Obras.Os promotores pedem, ainda, a condenação de Carvalho e aos demais acusados a suspensão dos direitos políticos, perda da função pública e o ressarcimento do Tesouro. Segundo os promotores, parte do dinheiro que teria sido arrecadado ilicitamente abasteceu campanhas eleitorais do PT. Eles estimam em R$ 5,3 milhões o valor do prejuízo que teria sido causado à prefeitura de Santo André.?O Partido dos Trabalhadores recebeu parcela daqueles recursos, por isso não é justo que fique fora da ação?, anotou Wider. Delitos contra administraçãoO promotor afirmou que Carvalho ?agia em nome próprio e em função da quadrilha; sua missão era encaminhar o dinheiro ao partido?. A base da ação é uma investigação aberta há cinco anos pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado do ABC, braço do Ministério Público que alega ter identificado prática de delitos contra a administração pública e formação de quadrilha ou bando envolvendo funcionários públicos da cúpula da prefeitura de Santo André. Os promotores concluíram que os acusados ?formaram uma quadrilha determinada a arrecadar recursos através de achaques a empresários, bem como através de desvio de dinheiro dos cofres públicos municipais, conforme outras denúncias já ajuizadas, relativas a contratos de obras públicas e de coleta e destinação final de lixo, ambas recebidas judicialmente?.IdealizadorSegundo o MP, Sérgio Gomes ?idealizou a formação da sociedade delinqüente, realizava tráfico de influência em favor da quadrilha e era um dos destinatários dos recursos ilícitos, tendo sido, inclusive, tesoureiro de campanha eleitoral do PT, sendo certo que, em algumas oportunidades, arrecadou diretamente parte do dinheiro?.A ação descreve a participação de Gilberto Carvalho, que foi secretário de governo de Celso Daniel. ?Ele concorreu de qualquer maneira para a prática dos atos de improbidade administrativa na medida em que transportava o dinheiro da propina arrecadado em Santo André para o PT?, destaca a promotoria.DirceuO ex-deputado José Dirceu, na época presidente do PT, é citado no texto da ação, mas não é acusado pelo MP. ?Todos os recursos auferidos pela quadrilha, na concepção do finado prefeito Celso Daniel, deveriam financiar campanhas eleitorais do PT, tanto em âmbito municipal e regional quanto em âmbito nacional?, assinalam os promotores. ?O dinheiro amealhado era, em parte, separado e entregue a Gilberto Carvalho, que o transportava, em seu veículo particular, ao escritório de José Dirceu, que recebia os recursos ilícitos em espécie, na qualidade de presidente do PT, para o financiamento de campanhas do interesse daquela agremiação.? O MP afirma que os acusados ?ao exigirem propina, agiram com a clara intenção de locupletar-se e abastecer o PT de recursos não contabilizados?.

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