MP pede ao TJ a suspeição de 16 deputados no DF

Parlamentares e suplentes são suspeitos de envolvimento no escândalo conhecido como 'mensalão do DEM'

Carol Pires, Agência Estado

17 de março de 2010 | 17h46

O Ministério Público do Distrito Federal pediu nesta quarta-feira, 17, ao Tribunal de Justiça que decrete a suspeição de 16 deputados distritais e suplentes por envolvimento no escândalo de corrupção local, conhecido como "mensalão do DEM". Em janeiro, o juiz Vinícius Santos, do TJ-DF, já havia decretado a suspeição de oito deputados e dois suplentes, que ficaram impedidos de votar no processo de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM) na Câmara Legislativa.

 

Veja também:

https://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gif Arruda avalia não recorrer de cassação do mandato

https://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gifEleição indireta no DF é aprovada em 1º turno

https://www.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gifBarbosa deve depor ainda este mês na CPI no DF

especial Entenda a operação Caixa de Pandora

 

O pedido foi feito pelo Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF, que levou em conta papéis encontrados em recentes mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente (ex-DEM). Nesses papéis, aparecem nomes de deputados e suplentes com valores correspondentes. Prudente é o deputado que ficou conhecido por protagonizar vídeo no qual guarda dinheiro de suposta propina nas meias e que renunciou ao mandato.

 

O Núcleo de Organizações Criminosas também levou em conta um novo depoimento de Durval Barbosa, principal testemunha do "mensalão do DEM", realizado no último dia 10. Barbosa é ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda e gravou dezenas de vídeos nos quais deputados, assessores, secretários de Estado e até o governador afastado recebem maços de dinheiro de suposta propina.

 

No pedido, os promotores afirmam que a aparição dos nomes desses deputados e suplentes nas listas apreendidas e no depoimento de Durval Barbosa, não provam a culpabilidade deles no esquema, mas comprova que há indícios da participação deles. O pedido do Ministério Público não tem data para ser julgado.

 

Explicações

 

Em nota, Gustavo Adolfo Moreira Marques, ex-secretário geral da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, afirma que um dos papéis em posse da Polícia Federal, recolhido na casa de Leonardo Prudente, é de autoria dele e trata sobre a composição de cargos de confiança na Casa, e não sobre distribuição de propina.

 

Os deputados Milton Barbosa, Eurides Brito e Raimundo Ribeiro divulgaram nota à imprensa informando o nome dos servidores que teriam sido contratados para as vagas. Os três negam envolvimento no "mensalão do DEM". "Tais notícias infundadas só reforçam o meu entendimento de que realmente a nossa atuação como parlamentar tem incomodado muitas pessoas poderosas, mas estes podem ter certeza de que não me intimidarei com nenhuma ameaça", afirma Ribeiro.

Mais conteúdo sobre:
mensalãoDFdeputadosMP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.