MP investigará frigorífico que comprou gado de Renan

Segundo promotor de Alagoas, denúncia de que empresa usou notas de empresas fantasmas é grave

Ricardo Rodrigues, do Estadão,

02 de agosto de 2007 | 21h02

O Ministério Público de Alagoas vai abrir inquérito para investigar denúncias de irregularidades no Matadouro Frigorífico de Alagoas (Mafrial), empresa que comprou a maior parte do gado vendido por Renan Calheiros (PMDB-AL), mas apresentou notas fiscais de empresas fantasmas para comprovar o negócio.   Veja também:   Cronologia do caso Renan Veja os 30 quesitos para a perícia Mônica Veloso negocia com a 'Playboy' para posar nua Na volta do recesso, Renan diz que provará sua inocência   "Vamos abrir um procedimento investigativo para apurar as denúncias de uso do Mafrial para a comercialização de gado, quando a finalidade do frigorífico é o abate, a armazenagem e a distribuição de carnes", afirmouo promotor de Justiça da Comarca de Satuba, Cyro Blatter, responsável pelo pedido. O capital acionário do Mafrial tem participação do governo do Estado.   Segundo Blatter, lideranças dos sem-terra já tinham denunciado irregularidades no Mafrial, na negociação de gado de procedência duvidosa. "Mas agora a situação se agrava, porque há inclusive uma denúncia feita por Renan que, em entrevista à imprensa, disse que 'se o Mafrial negociava com empresas fantasmas e pagava essa carne comprada com dinheiro e cheques de empresas fantasmas, isso é uma coisa muito grave, criminosa, que tem que ser investigada o mais rapidamente possível'. Por isso, não temos outra alternativa senão apurar todos esses fatos", comentou o promotor.   Para ele, a denúncia feita por Renan é muito grave, principalmente porque o presidente do Senado está sendo acusado de usar notas fiscais frias e empresas fantasmas, na negociação do seu gado com a Mafrial, para justificar rendimentos agropecuários de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. "Não sei como se dava essa negociação, até porque o frigorífico não pode emitir nota fiscal, mas vamos apurar e usar a lei para enquadrar os responsáveis por todas essas irregularidades", acrescentou Blatter.   O promotor disse ainda que estava voltando de férias agora em agosto e foi surpreendido com a gravidade das denúncias contra a direção do Mafrial. "Nós estávamos apurando denúncia de moradores do município, acusando a direção do matadouro de poluir um rio que passa perto do frigorífico, mas agora vamos aprofundar as investigações, para saber porque o Estado não se posiciona sobre essas questões, já que é um dos acionistas", afirmou Cyro Blatter, acrescentando que vai pedir à Junta Comercial de Alagoas e à Secretaria Estadual da Fazenda toda a documentação sobre a criação e composição acionária do Mafrial.   Outras irregularidades   Cyro Blatter quer saber porque a presidente do Mafrial, Zoraide Beltrão de Castro, está à frente do frigorífico há mais de 30 anos e até hoje controla o frigorífico a "mão de ferro", sem prestar contas da movimentação financeira a ninguém. "Queremos saber a quem ela presta contas e como é feito o controle da indústria", adiantou o promotor. Segundo informações de funcionários, o Mafrial foi construído pelo governo do Estado em meados de 1960, no município de Satuba, a 40 quilômetros de Maceió. O Mafrial foi construído para substituir o antigo matadouro da Maceió, que funcionava no distrito de Fernão Velho, mas estava obsoleto e fora dos padrões de higiene.   O pecuarista José Beltrão (conhecido como Zequinha da Mafrial), junto com a esposa Zoraide Beltrão de Castro, foram os pioneiros na implantação da indústria prestadora de serviços no abate da carne bovina. Com equipamentos modernos, eles se transformaram nos maiores acionistas do Mafrial, já que o governo detém pouco mais de 30% das ações. Atualmente, a indústria possui pouco mais de 300 funcionários e abate não só boi como outros tipos de animais, como porcos e carneiros.   Assalto   Na madrugada desta quinta-feira, cerca de dez homens fortemente armados renderam o motorista de um caminhão de gado e entraram no Mafrial para assaltar. Os bandidos renderam os vigilantes, que foram feitos reféns e levaram pouco mais de R$ 4 mil em dinheiro e alguns documentos. Segundo os empregados do frigorífico, os assaltantes sabiam de toda a movimentação da indústria, porque se deslocaram diretamente para o gabinete da diretora-geral Zoraide Beltrão, onde arrombaram o cofre, onde estava o dinheiro que eles levaram.   O assalto será investigado pela Delegacia de Polícia de Satuba, mas as investigações não começaram porque a Polícia Civil de Alagoas está em greve por tempo indeterminado.   O deputado federal João Beltrão, sobrinho de Zoraide, confirmou que o Mafrial não tem autorização para negociar carne, mas não quis falar sobre a versão de Renan. O parlamentar já foi aliado político de Renan, mas romperam nas últimas eleições, o que levou a Beltrão a dizer em um comício que já deu muitas vezes a feira ao senador.

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