MP investiga roubo de madeira no Pará

O Ministério Público do Pará começou nesta quarta-feira a investigar denúncia feita pelacomunidade quilombola (descendente de escravos) de Camutá do Ipixuna, nomunicípio de Gurupá, no arquipélago do Marajó, região norte do Pará, contra omadeireiro Demerval Duarte Souto, acusado de roubar madeira de uma área de 83mil hectares.Segundo o advogado da Federação de Órgãos para a Assistência Social eEducacional (Fase), Gerônimo Treccani, a invasão da área por Souto estariaocorrendo desde julho do ano passado.Na primeira vez, o Instituto Brasileiro doMeio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) abriu um processoadministrativo que até hoje não foi concluído. A madeira apreendida ficou no local e está se estragando no meio do mato.Para entrar nas terras com seus caminhões e retirar madeira das espéciesmaparajuba, quaruba, angelim vermelho e louro, Souto abriu duas estradas, umadelas passando por dentro da Floresta Nacional de Caxiuanã - área de pesquisa doMuseu Emílio Goeldi."Queremos que o Ibama puna esse madeireiro com multa pesada e permita que amadeira por ele retirada seja utilizada pela comunidade", resumiu Treccani.Ele disse que parece ironia o fato de a invasão estar ocorrendo logo depois dea Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos de Gurupá ter recebidodo governo federal o documento de titulação definitiva das terras."A açãoimpetrada pela Fase no Ministério Público pede abertura de inquérito contraSouto para responsabilizá-lo criminalmente e evitar que ele invada novamente asterras quilombolas", explicou o coordenador da Fase em Gurupá, Paulo Oliveira.A Fase, segundo Oliveira, realiza na área das 40 comunidades de Gurupá umtrabalho de regularização fundiária, monitoramento ambiental, incentivo àprodução, beneficiamento e comercialização de produtos florestais, agrícolas epesqueiros, beneficiando diretamente 1.200 famílias.O madeireiro não foi localizado na serraria de sua propriedade em Gurupá pararesponder às acusações. Um funcionário disse que Souto estava fora do municípioe não tinha data prevista para retornar.

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