MP estaria preparando novas denúncias contra ex-diretor do BB

O Ministério Público Federal não pretende convocar o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, nem o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para depor sobre a suspeita de que o ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, teria cobrado propina durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. A intenção é evitar que os depoimentos dos dois esvazie uma futura CPI no Congresso, que já estaria sendo articulado pela oposição. Na verdade, procuradores que trabalham no caso vão forçar a abertura de uma Comissão de Investigação.Tanto é, que uma das estratégias inclui o anúncio de novas denúncias envolvendo Oliveira e que, diretamente, pode atingir o pré-candidato do PSDB, José Serra. Uma das intenções dos investigadores, segundo um deles, o procurador Luiz Francisco de Souza, é não convocar Paulo Renato e Mendonça de Barros na fase inicial da apuração. O caso já se estende há pelo menos dois anos, mas, pela primeira vez, aparece uma denúncia mais profunda em relação à Ricardo Sérgio, que estava sendo investigado pelo Ministério Público Federal. Além disso, chamar o ministro da Educação neste momento poderia ajudar o governo. ?O Palácio poderia simplesmente alarmar que nada existe, porque o Ministério Público já teria ouviu as duas pessoas que tomaram conhecimento da denúncia da cobrança de propina. Ou seja, seria um bom argumento para esvaziar uma futura CPI?, avalia um procurador envolvido nas investigações.Pelo menos nos próximos dias, o governo e seu pré-candidato, José Serra, não ficarão livres de novos fatos desagradáveis, todos relacionados à Ricardo Sérgio, que foi tesoureiro de campanha do tucano em duas de suas campanhas para deputado federal e senador, em São Paulo. Em pelo menos uma delas, investigadores que atuam no caso pretendem mostrar resultados do rastreamento feito na Antar Venture Investments, uma suposta empresa do ex-diretor do Banco do Brasil nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe.Além disso, o Ministério Público vai centralizar as investigações em torno da compra de dois prédios da Petros ? o fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás ? por Ricardo Sérgio, há dois anos. ?Já expedimos diversos ofícios a órgãos do governo para sabermos detalhes sobre as operações?, afirma Luiz Fernando de Souza. A apuração também irá se concentrar na obra de um condomínio que o ex-diretor do Banco do Brasil está construindo em São Paulo.

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