MP-ES pede prisão de ex-assessores do governador

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo pediu à Justiça a prisão temporária de nove pessoas envolvidas no desaparecimento de R$ 4,3 milhões de uma suposta doação feita pelo governo estadual a um projeto ambientalista. Entre os citados estão o cunhado do governador e ex-secretário de Governo Gentil Ruy, e o ex-caixa de campanha de José Ignácio Ferreira, Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené. Segundo os promotores do MP estadual, há indícios de que essas nove pessoas tenham cometido vários crimes, entre eles formação de quadrilha, apropriação indébita, falsidade ideológica, falsidade na apresentação de documentos e crimes contra o sistema financeiro. O MP pediu também a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal e o seqüestro de bens dos suspeitos. Além de Bené e Ruy, estão na lista quatro pessoas ligadas à Fundação Augusto Ruschi (Dilma Ruschi, Augusto Ruschi Filho, Flávio Quintanilha e Aluízio Sá dos Santos) e três funcionários (Gabriel dos Anjos, Paulo Sérgio Torres da Silva e Marcelo Gabriel de Almeida) da Coopeftes, a cooperativa de crédito onde o dinheiro foi depositado e, depois, desapareceu. A doação, feita pelo governo para um suposto projeto ambientalista da Fundação Augusto Ruschi, havia desaparecido da conta mantida na Coopetfes.Durante depoimento no MP, o contador da cooperativa, Torres da Silva, revelou que o dinheiro foi transferido para três contas de Bené. Agora, os promotores querem quebrar o sigilo bancário dos envolvidos para descobrir onde foi parar o dinheiro. A suspeita é que Bené tenha usado os R$ 4,3 milhões para pagar prestações de apartamentos do governador. O pedido de prisão temporária (cinco dias prorrogáveis por mais cinco) foi feito, segundo os promotores, para facilitar o andamento do inquérito e forçar os suspeitos a prestar depoimento. Intimado a comparecer ao MP, Gentil Ruy apenas pediu que seu advogado informasse que não poderia ir porque estava viajando. Bené fez o mesmo e remarcou o seu depoimento (que deveria ocorrer amanhã) para a semana que vem. "A prisão tem o objetivo de apressar as investigações e evitar que eles desapareçam com documentos importantes, ou ameacem testemunhas", disse o promotor Evaldo Martinelli.

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