MP denuncia ex-senador Suassuna na máfia dos sanguessugas

Conforme a denúncia, ele e outros cinco ex-deputados eram braço político do esquema de desvio de recursos

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo,

24 de outubro de 2008 | 17h53

O Ministério Público Federal no Estado do Mato Grosso denunciou o ex-senador Ney Suassuna (PB) e cinco ex-deputados federais por suposto envolvimento com a máfia dos sanguessugas. As denúncias foram encaminhadas à Justiça Federal de Mato Grosso. Conforme a denúncia, os ex-parlamentares integravam o braço político de um esquema de desvio de recursos destinados para a compra de ambulâncias e equipamentos hospitalares.   Segundo informações divulgadas na última quinta-feira, 23, pelo Ministério Público Federal, as investigações demonstraram que os denunciados associaram-se à organização criminosa, cabendo-lhes a tarefa de apresentar emendas parlamentares.   O Ministério Público sustenta que "a organização contava com pessoas incumbidas exclusivamente de receber os recursos desviados, depositá-los em suas contas bancárias, sacá-los, reciclá-los e entregá-los aos parlamentares e seus assessores, de forma a dificultar a identificação da origem espúria da riqueza". A reportagem do Estado procurou o ex-senador em sua casa, no Rio, mas não o encontrou. A informação é de que ele está em viagem e só deve retornar nesta sexta.   Entenda o esquema   A Polícia Federal descobriu, em maio de 2006, esquema de fraude em licitações para compra de ambulâncias com verba do Ministério da Saúde. O esquema era comandado pela empresa Planam, de Mato Grosso, da família Vedoin (Luiz Antonio e seu pai, Darci), e envolvia parlamentares e funcionários do Ministério da Saúde.   O grupo fazia contato com as prefeituras do País para oferecer entrega de ambulâncias com maior rapidez sem ter de passar pelos trâmites normais. Se o prefeito concordasse, a quadrilha negociava com assessores de parlamentares a apresentação de emendas individuais ao Orçamento da União para liberar o dinheiro.   Assim que fossem liberados os recursos, o grupo manipulava a licitação e fraudava a concorrência usando empresas de fachada. Dessa maneira, os preços da licitação eram superfaturados, chegando a ser até 120% superiores aos valores de mercado. E o 'lucro' era dividido entre os envolvidos no esquema, inclusive parlamentares.   Segundo a Polícia Federal, a organização negociou o fornecimento de mais de mil ambulâncias em todo o País. E a investigação do Ministério Público levantou prejuízos em torno de R$ 110 milhões aos cofres públicos. Assim, foram denunciados ex-deputados federais, um ex-senador e assessores parlamentares, além de outros servidores públicos.   Uma CPI foi aberta para apurar o caso e encontrou indícios contra 69 deputados e três senadores. Dois dos deputados acusados renunciaram. Dos 67 restantes, apenas cinco conseguiram se reeleger.   Os três senadores - Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT) - foram absolvidos pelo Conselho de Ética. E a maioria dos deputados sanguessugas não deverá sequer ser julgada. Passados seis meses, a CPI do caso fechou seus trabalhos com a aprovação de um relatório inconclusivo.

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