Fabio Motta/Estadão
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MP da Suíça diz que dinheiro atribuído a Cunha circulou por 23 contas em 4 países

Recursos teriam passado por Cingapura, Suíça, EUA e Benin

Beatriz Bulla e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2015 | 03h25

BRASÍLIA - Investigação do Ministério Público da Suíça mostra que os recursos atribuídos ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), circularam por ao menos 23 contas bancárias no exterior como forma de ocultar sua origem. Entre saques e depósitos que abasteceram as quatro contas em nomes de offshores que têm o deputado como beneficiário, os ativos transitaram por bancos em Cingapura, Suíça, Estados Unidos e Benin.

As autoridades brasileiras, que receberam documentos sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro, tentam rastrear a fonte da maior parte dos recursos que abasteceram as contas atribuídas a Cunha.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB)

 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB)

 

Valor de US$ 500 mil chama a atenção dos investigadores e será um dos principais focos da apuração a partir de agora. Eles suspeitam que o dinheiro seja fruto de outros esquemas de corrupção para além do apurado pela Petrobrás, mas que também tenham sido desviados de contratos públicos. Cunha nega ter contas fora do País.

As quatro contas bancárias atribuídas ao presidente da Câmara e à mulher dele, Cláudia Cordeiro Cruz, não declaradas à Receita, receberam R$ 23,2 milhões, segundo a Suíça. Na principal delas, uma espécie de “conta-mãe” aberta no banco Julius Baer, foi bloqueado o equivalente a R$ 7,4 milhões em abril deste ano. Documentos enviados pelas autoridades do país comprovam que um negócio de US$ 34,5 milhões fechado pela Petrobrás em 2011 no Benin, na África, serviu para irrigar as quatro contas.

Defesa. Em nota à imprensa, advogados de Cunha afirmam que o parlamentar não foi notificado nem teve acesso a nenhum procedimento investigativo.

“Sem que isso signifique a admissão de qualquer irregularidade, é de se estranhar que informações protegidas por sigilo – garantido tanto constitucionalmente como também pelos próprios tratados de cooperação internacional – estejam sendo ostensivamente divulgadas pela imprensa”, diz texto dos escritórios Garcia de Souza Advogados e Reginaldo Oscar de Castro.

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