MP analisa dados sobre caixa dois em Curitiba

O Ministério Público do Paraná deve remeter à perícia técnica 28 documentos originais que recebeu e que serviriam como nova prova de que a coligação PFL-Movimento Curitiba Sempre com Você utilizou um caixa dois durante a campanha que reelegeu o prefeito Cassio Taniguchi no ano passado. "Dá mais autenticidade ao trabalho", disse a promotora Maria Espéria Costa Moura, uma das que estão envolvidas na investigação. Até agora, o MP possuía apenas fotocópias de documentos. A coligação é acusada de ter gasto quase R$ 33 milhões na reeleição do prefeito, embora tivesse declarado apenas R$ 3,1 milhões ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A denúncia baseia-se em um livro-caixa não oficial e cópias de recibos. A letra do presidente do comitê financeiro, Mário Lopes Filho, já tinha sido confirmada pericialmente em alguns bilhetes fotocopiados, apesar de ele ter negado a autenticidade dos documentos. De acordo com a promotora, as cópias de alguns dos documentos originais recebidos já estavam em poder da Promotoria, enquanto outros são novidade. As letras e as assinaturas deverão ser confrontadas pela perícia para determinar se são falsas. "Os valores de alguns desses recibos conferem com o (livro) Movimento do Caixa", afirmou Maria Espéria. Muitos dos valores desse livro não foram declarados ao TRE. Segundo ela, o trabalho do MP não está restrito apenas a ouvir pessoas, embora quase diariamente estejam sendo tomados os depoimentos de duas ou três testemunhas. "Requisitamos vários documentos que já estão chegando", disse. Entre os documentos estão os blocos de notas fiscais das empresas que teriam contribuído com a campanha, mas cujos nomes não aparecem na declaração oficial. "Cada recibo, cada nota fiscal, cada documento é importante", disse a promotora. O MP não tem prazo para encerrar o trabalho de coleta de dados. "Estamos sendo cautelosos para nada ficar fora", afirmou Maria Espéria. Segundo ela, já foi possível perceber que há divergência entre os dados fornecidos ao TRE e os que os promotores investigam. "Existe um orçamento paralelo", acentuou. "Temos que chegar no desmembramento disso." O advogado do prefeito de Curitiba, José Cid Campêlo, disse que o aparecimento de papéis originais não altera a posição de Taniguchi. "Não houve impugnação para a prestação de contas do prefeito", afirmou. "O que se discute é a prestação feita pela coligação." O Ministério Público da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba entrou com recurso contra a decisão do juiz Espedito Reis do Amaral, que tinha aprovado as contas. O juiz ainda está com o processo, que deve subir ao TRE, onde será apreciado. Amaral também não tinha enviado à Polícia Federal, até a tarde de hoje, o pedido para instauração de inquérito visando investigar as denúncias. Nem os advogados nem o presidente do PFL municipal responderam aos telefonemas feitos aos escritórios.

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