Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Movimentos unificam bandeira, mas disputa entre eles aumenta

Grupos que no dia 15 de março pregavam ações conjuntas mesmo com diferenças estratégicas e ideológicas se afastam

Valmar Hupsel Filho e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2015 | 05h00

Unidos no discurso “Fora Dilma”, os principais responsáveis pela organização dos protestos contra o governo federal estão divididos em uma disputa que envolve o tom das manifestações. 

Grupos como Movimento Brasil Livre (MBL), Revoltados On Line, Vem Pra Rua e o minoritário SOS Forças Armadas, que até o dia 15 de março dialogavam frequentemente, apesar das diferenças estratégicas e ideológicas, hoje estão afastados.


A rusga mais grave envolveu MBL e SOS Forças Armadas. Os jovens liberais do MBL foram à Justiça para garantir o direito de ficarem distantes dos militaristas ultrarradicais hoje à tarde na Avenida Paulista.

No protesto do dia 15 de março, os dois grupos ficaram frente à frente. Os primeiros no vão-livre do Masp e os outros no Parque Trianon. O fato de o SOS Forças Armadas defender a intervenção militar no País com um grande aparato de carros de som e propaganda causou constrangimento no MBL, que defende o impeachment da presidente, mas não a intervenção. A ação judicial só foi retirada após um acordo mediado pela Polícia Militar. 

‘Chequer Semfunds’. Mentor intelectual do MBL e de boa parte da direita universitária, o escritor conservador Olavo de Carvalho fez críticas públicas ao Vem Pra Rua, um dos grupos mais moderados que relutavam em defender o impedimento da presidente Dilma Rousseff. O alvo foi o empresário Rogério Chequer, porta-voz do Vem Pra Rua. “Ou o sr. Rogério Chequer passa a pedir abertamente o fim do PT e do Foro de São Paulo bem como a destituição da presidente por qualquer meio legal disponível ou passarei a chamá-lo de Chequer Semfunds (sic)- e esse apelido vai pegar. O prazo termina amanhã à noite”, ameaçou o escritor em sua página no Facebook em 26 de março.

No mesmo dia, Carvalho publicou um post dizendo que Chequer o havia procurado para conversar. Dias depois o Vem Pra Rua passou a defender o impeachment de Dilma. 

O posicionamento mais brando do Vem Pra Rua sobre o impeachment também azedou a relação com os membros do MBL, que acusam o grupo de estar ligado ao PSDB. Se antes os dois grupos dialogavam e articulavam juntos os protestos de rua, hoje o MBL nem sequer atende aos telefonemas de Chequer. 

O empresário, que prega o “diálogo”, diz que os grupos podem se entender nas convergências, “respeitando as diferenças”. “Não precisamos ter uma superposição de causas de interesse ou de estilo. Pega-se o objetivo comum e se coordena. E os outros, respeita-se sem um pisar no pé do outro”, disse. 

Apesar do tom conciliatório, ele também critica o estilo radical dos outros dois grupos. “Eles (MBL) queriam que a gente fosse mais radical. É como se eu dissesse que o Marcello Reis deveria ser menos radical, senão não falo com ele”, disse. 

Além das tentativas de diferenciação ideológica, os grupos se valem do número de seguidores nas redes sociais para reivindicarem protagonismo nas manifestações. Se até o dia 15 de março esta disputa era velada, agora é escancarada. 

“Se juntar estes dois grupos (Vem Pra Rua e MBL), não chega no Revoltados On Line”, afirmou Marcello Reis, líder desse último. A página dos Revoltados On Line no Facebook conta com 764 mil seguidores, enquanto o Vem Pra Rua tem 475 mil e o MBL, 121 mil.

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