Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Atos pró-Dilma farão crítica a Renan

Movimentos rechaçam impeachment, mas discordam de agenda do peemedebista; organizadores querem levar 50 mil ao Largo da Batata

Ricardo Galhardo e José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 17h29

Atualizado às 23h10

São Paulo - A Agenda Brasil apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como suporte para a recomposição da base do governo no Congresso será um dos principais alvos dos movimentos sociais que vão às ruas nesta quinta-feira para se manifestar contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O ato ocorrerá em pelo menos 12 Estados. A expectativa é reunir pelo 50 mil pessoas no Largo da Batata, em São Paulo. 

Segundo os organizadores do ato “Contra a Direita e o Ajuste Fiscal”, embora tenha como um dos objetivos se contrapor aos pedidos de impeachment e à “pauta conservadora” dos manifestantes que foram às ruas no domingo, a manifestação do dia 20 não foi convocada para “passar a mão na cabeça do governo petista”. “Não podemos ter a visão simplista de que o dia 16 foi ‘Fora Dilma’ e o dia 20 será ‘Viva Dilma’. Não é”, disse Guilherme Boulos, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). 

Líderes do protesto disseram que se recusam até mesmo a dialogar com o governo sobre a Agenda Brasil. “O que nós queremos é colocar em discussão a nossa pauta”, disse Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Propostas como redução das demarcações de terras indígenas, regulamentação das terceirizações e venda de patrimônio público, incluídas na proposta de Renan, inviabilizam qualquer negociação por parte dos movimentos, segundo os grupos. 

O ajuste fiscal levado a cabo pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a figura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estarão no alvo dos manifestantes. Embora o impeachment esteja na pauta do dia por causa dos protestos de domingo, outros temas, como a redução da maioridade penal, criminalização dos movimentos sociais por meio da Lei Antiterrorismo e até a chacina que matou 18 pessoas em Osasco e Barueri, na sexta-feira, estão na pauta. 

Lava Jato. Em entrevista coletiva ontem ao lado de outros organizadores, Renan Alencar, da União da Juventude Socialista (UJS, braço do PC do B), chegou a chamar a Operação Lava Jato de “caldeira irresponsável” e a presidente da UNE, também do PC do B, incluiu o juiz Sérgio Moro na lista de “representantes do conservadorismo”, mas foram repelidos pelos demais participantes. Segundo eles, a investigação dos desvios na Petrobrás não entrou na pauta porque não há consenso entre os participantes do ato. 

Apesar das divergências em relação ao governo e à Lava Jato, os movimentos farão a defesa do mandato de Dilma. Para eles, não há motivos legais para o afastamento e a oposição tenta derrubar a presidente por não se conformar com a derrota nas eleições do ano passado. 

“Existe um clima sendo criado para não se respeitar o resultado das eleições de 2014. Estamos repudiando todos os que querem interromper esse processo democrático que está em curso”, disse o presidente da CUT-SP, Adi dos Santos. 

A manifestação no Largo da Batata está prevista para as 17h. O PT utilizará inserções partidárias, programados para serem divulgados em cadeia nacional de rádio a partir de hoje, para promover a mobilização. Em uma das inserções, o PT retoma a estratégia de fazer um “mea- culpa”, dizendo que qualquer partido “vive bons e maus momentos”.

Os movimentos estimam que conseguem levar ao menos 50 mil militantes ao local. “Há uma série de setores progressistas indignada com o desfile de intolerância”, disse Guilherme Boulos, do MTST. / COLABOROU ERICH DECAT


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