Alex Silva|Estadão
Alex Silva|Estadão

Movimentos sociais e parlamentares petistas querem acionar a OEA contra ação da PM em manifestações

Senadores e deputados também pretendem enviar representação ao Ministério Público Estadual cobrando que a entidade exerça o papel de controle externo da PM e pediram reunião com o governador Geraldo Alckmin para discutir o assunto

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2016 | 17h30

Movimentos sociais que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e parlamentares petistas anunciaram nesta segunda-feira, 5, uma série de medidas para conter a violência da Polícia Militar de São Paulo contra manifestantes contrários ao governo Michel Temer. Eles tentaram responsabilizar o presidente pela ação policial.

A principal medida é uma representação junto à Corte de Direitos Humanos das Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciando abusos da PM durante as manifestações. Além disso, os parlamentares petistas vão enviar uma representação ao Ministério Público Estadual cobrando que a entidade exerça o papel de controle externo da PM e pediram uma reunião com o governador Geraldo Alckmin para discutir o assunto. Já as frentes decidiram incluir formalmente a desmilitarização das polícias na pauta das próximas manifestações.

As medidas foram motivadas pelos atos de violência registrados depois do protesto que reuniu milhares de pessoas aos gritos de “Fora Temer” e “Diretas Já” no domingo, 4, em São Paulo. Os manifestantes marcharam de forma pacífica desde a Avenida Paulista até o Largo da Batata, mas fram dispersados pela Polícia Militar com o uso de bombas e jatos de água após um princípio de tumulto. O governo de São Paulo alega que a PM tentou conter atos de vandalismo no metrô. Foi o sexto ato seguido contra o governo Termer em São Paulo que terminou com cenas de violência.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) tentaram vincular Temer diretamente à ação policial.

“Quem deu o tom foi o presidente usurpador ao dizer, primeiro, que eram “40 pessoas” e depois, em resposta ao Papa, que são 'baderneiros'”, disse Teixeira.

Lindbergh disse que as manifestações de rua são o principal medo de Temer hoje.

“Hoje a maior preocupação do governo Temer não é a relação com o PSDB, não, é a mobilização”, disse o senador.

Os dois lembraram que o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, era até quatro meses atrás secretário de Segurança Pública de São Paulo e, portanto, chefe da PM.

Segundo eles, a PM está impedindo o direito constitucional à livre manifestação. “A PM tem que proteger as pessoas mas ontem foi ela que fez o papel de baderneiro”, disse Teixeira.

Detenções. O deputado cobrou do Ministério Público mais fiscalização sobre as polícias. Além de reclamar das bombas da PM no Largo da Batata, Teixeira apontou supostas irregularidades na conduta dos delegados do DEIC responsáveis pela detenção de 26 jovens que participariam da manifestação.

Segundo o parlamentar, os delegados proibiram os advogados de falar com os jovens durante mais de sete horas. Neste meio tempo, um dos delegados teria ouvido preliminarmente os detidos, o que contraria a legislação. De acordo com Teixeira, os 26 jovens – entre eles alguns com menos de 18 anos - foram presos perto do Centro Cultural São Paulo por volta das 15h, antes do início do ato. Um deles teria pedras na mochila e outro material de primeiros socorros, o que foi interpretado pela PM como indicativos de quel eles estavam se preparando para atos de violência.

Conforme Teixeira, um dos delegados disse que vai enquadrar os maiores de 18 anos em crimes de formação de quadrilha e corrupção de menores.

Representantes das frentes revelaram que os organizadores do ato de domingo destacaram um grupo de 400 manifestantes para evitar vandalismo e violência. Imagens que circulam na internet mostram estes “seguranças” expulsando da passeata um grupo de mascarados.

Eles repudiaram ainda as seguidas ocorrências de violência policial contra jornalistas que cobrem as manifestações a exemplo do que o ocorreu domingo com Felipe Souza, da rede britânica BBC, que levou golpes de cassetete embora estivesse identificado com crachá de jornalista e colete.

 

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