Movimentos sociais criticam PF e se mobilizam a favor de Lula

Militantes devem adiantar para o dia 18 a grande manifestação marcada para o dia 31 em defesa do mandato de Dilma e manter uma mobilização permanente a partir de hoje

Pedro venceslau e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2016 | 12h39

A condução coercitiva de Lula na 24ª fase da Operação Lava Jato na manhã desta sexta-feira, 4, teve efeito imediato entre os movimentos sociais ligados ao PT. Líderes do Movimento dos Sem Terra (MST), Central de Movimentos Populares (CMP), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e União Nacional dos Estudantes (UNE) se reuniram também na sede do PT para traçar uma estratégia de reação e defesa de Lula. Uma das decisões foi manter uma mobilização permanente a partir de hoje. Além disso os movimentos devem adiantar para o dia 18 a grande manifestação marcada para o dia 31 em defesa do mandato de Dilma.

“Estamos tratando isso como um sequestro. Certamente este mês será marcado por grandes lutas e manifestações. Nossa militância foi orientada a se manter mobilizada. Estes fatos de hoje têm impacto muito mais forte nos movimentos do que as políticas do governo”, disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.

O presidente nacional do Centro de Movimentos Populares (CMP) do Brasil, Eduardo Cardoso, disse que o episódio acirra a crise política no País e gera mais “incerteza e instabilidade”. Cardoso afirmou ainda que todos os pedidos de informações solicitados ao ex-presidente estavam sendo atendidos. 

“Isso com certeza vai despertar reações da população. Isso está sendo feito para manchar a imagem do presidente. Não faz sentido uma ação coercitiva se ele estava à disposição.”

Para a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, o mandado para Lula depor coercitivamente é “totalmente descabido” e infringe o Estado democrático de direito porque, segundo ela, ele nunca se negou a prestar depoimento. Ela garante ainda que está pronta para ir às ruas “para não deixar a nossa democracia correr risco”.

“É mais uma tentativa de espetacularização das ações da PF com delações vazadas ilegalmente, com reportagens no Jornal Nacional de mais de 20 minutos sobre uma delação que foi negada”, criticou. 

Para dirigentes petistas, a condução coercitiva de Lula pode provocar uma onda favorável ao partido. “Isso serve para que os diretórios do PT se mobilizem. Em vez de afastar, este fato serve para incentivar as pessoas a irem às ruas”, disse o presidente do diretório municipal do PT de São Paulo, Paulo Fiorilo. 

“O que aconteceu hoje era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça”, disse o próprio Lula em pronunciamento feito na sede do PT em São Paulo.

Alguns petistas, no entanto, chegaram a dizer que a ação da PF poderia criar clima de radicalização semelhante ao da Venezuela.

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