Movimentos pró-impeachment usam prisão de Cunha para provocar petistas

Movimentos pró-impeachment usam prisão de Cunha para provocar petistas

Em redes sociais, celebram juiz Sérgio Moro e apontam que prisão do ex-presidente Lula deveria ser a próxima na Operação Lava Jato

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 22h04

SÃO PAULO - Movimentos que foram às ruas pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff usaram a prisão de Eduardo Cunha nesta quarta, 19, para provocar petistas nas redes sociais. Além de elogiarem Sérgio Moro, arriscam que o ex-presidente Lula será o próximo preso na Operação Lava Jato.

Um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, que durante o processo de impeachment encontrou-se com Cunha em seu gabinete na Câmara algumas vezes, afirmou hoje que “MBL e todas as pessoas com o mínimo de ética e bom senso comemorando a prisão de Eduardo Cunha”. 

No mesmo post em que Kataguiri comemora a prisão, ele também critica o deputado Jean Wyllis (PSOL-RJ), que escreveu um texto dizendo que a prisão de Cunha “não refuta seletividade penal, mas reforça”. Em outras postagens, o jovem agradeceu a Sérgio Moro e compartilhou um meme debochando da tese de golpe.

O perfil do Vem Pra Rua no Facebook postou uma foto de Lula com os dizeres: “A esquerda está perdida. Não sabe se chora, porque perdeu a narrativa, se comemora a prisão de Cunha ou se volta a chorar, porque Lula será o próximo”. Em outro post, elogia a Lava Jato pela prisão de corruptos, “sejam eles grande empresários (...), ex-deputados, e quem sabe até ex-presidente”, provoca.

Algemada em uma pilastra da Câmara no ano passado para pressionar Eduardo Cunha pelo impeachment, Carla Zambelli fez uma transmissão ao vivo no Facebook do NasRuas comentando a prisão do peemedebista. “Agora eu quero ver os petralhas falarem que o Moro só pega o PT. Eles não falaram tanto que queriam a cabeça do Cunha? Está aí, petralhada, a cabeça do Cunha pra vocês”, afirmou. Ela ainda disse que não foi a vez do “Lularápio” ainda, mas que “já já estaria chegando”, fazendo referência ao ex-presidente Lula. 

Tanto o NasRuas, quanto o MBL e o Vem Pra Rua se manifestaram à favor de uma possível delação premiada do deputado cassado, com a hashtag #DelataCunha.

Apesar de agora comemorarem a prisão do Eduardo Cunha, o deputado foi um importante aliado dos movimentos. Enquanto presidente da Câmara, foi responsável pela aceitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Em momento emblemático dessa aproximação, militantes posam com uma faixa do PSDB pedindo um Brasil “livre da corrupção”. Ao lado, está Cunha e outros políticos, como o ministro da Educação, ex-deputado Mendonça Filho (DEM-PE) e o deputado Alberto Fraga (DEM-DF).

 

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