Movimentos do campo articulam ações contra o governo

Após quase 2 anos de reforma ‘zero’ com Dilma, grupos de sem-terra se juntam contra Temer e ampliam pauta até para reforma da Previdência

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2016 | 05h00

SOROCABA (SP) - Após quase dois anos de reforma agrária “zero” no segundo mandato da presidente cassada Dilma Rousseff, os movimentos do campo ameaçam declarar guerra ao governo Michel Temer. Para atrair apoio, eles agregaram à pauta agrária a reforma da Previdência. 

No dia 8, 12 movimentos campesinos apoiados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, lançaram manifesto prometendo usar “todos os meios de pressão e luta” contra as ações de Temer.

Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que assinou o manifesto, disse que as ocupações serão intensificadas como forma de pressão. “Não adianta a tentativa de governos de criminalizar ou tentar impedir a organização do nosso povo. Sempre encontraremos formas para seguir lutando pelos nossos direitos e o que se avizinha estimula mais ainda à organização popular.”

Grupos rivais, como o Movimento Social de Luta (MSL) e a Frente Nacional de Lutas (FNL), se juntaram contra as medidas do governo, como a extinção do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). No dia 6, integrantes da FNL bloquearam uma rodovia na região de Bauru com faixas de protesto contra a influência do deputado Paulinho da Força (SD-SP) no Incra. 

A FNL foi criada pelo dissidente do MST José Rainha Junior, levado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP) para um encontro com Temer, em junho. A aproximação com Rainha ajudou o deputado a emplacar Leonardo Góes na presidência do Incra e seu filho Alexandre Pereira da Silva na superintendência de São Paulo. 

“O grupo de Paulinho da Força não entende de reforma agrária e muito menos de produção de alimentos. Tanto a SDA (Secretaria de Desenvolvimento Agrário) quanto o Incra estão nas mãos deles como forma de o Temer pagar a conta dos votos que este grupo deu, por meio de seus parlamentares, para o golpe contra a democracia”, disse Conceição.

Paulinho negou ter indicado o filho e disse que sua atuação se resumiu à indicação de Góes para o Incra. O órgão afirmou que não foi “ocupado politicamente”. “Pela primeira vez na história da autarquia seu presidente é um servidor de carreira”, informou, em nota.

Apoio. Aliados do PT, os movimentos do campo apoiam, com estratégias e pessoal, as ações urbanas de grupos de sem-teto em ocupações de prédios abandonados. Integrantes do MST ajudaram a organizar a Comunidade de Famílias por Moradias que, no último dia 10, invadiu um hotel abandonado na região central de Campinas. Nas periferias, os movimentos voltaram a arregimentar pessoal para retomar os acampamentos, esvaziados durante os governos petistas. 

No campo, novos grupos estão surgindo, como o Movimento Radicais Livres, que estreou no dia 12 invadindo duas fazendas de celulose em Águas de Santa Bárbara, no interior.

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