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Daniel Teixeira/ Estadão
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Movimentos de oposição a Bolsonaro confirmam volta às ruas em novos atos

Membros do Somos Democracia e da Central de Movimentos Populares avaliaram como positivos os atos do fim de semana e confirmaram novos protestos o próximo domingo, 14.

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 14h32

Movimentos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro que foram às ruas no último domingo, 7, confirmaram novos atos para o próximo fim de semana. Lideranças disseram que, apesar da pandemia, vão continuar com os protestos públicos, tomando os devidos cuidados.

Bolsonaro foi alvo de protesto no Distrito Federal e em ao menos 11 capitais nesse domingo. Classificados por Bolsonaro na semana passada como “marginais” e “terroristas”, os manifestantes fizeram atos majoritariamente pacíficos. A adesão foi maior em São Paulo, onde também houve panelaços e buzinaços contra o presidente. Após a manifestação terminar, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo pequeno, que continuava nas ruas de Pinheiros, Zona Oeste.

Coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) - uma das entidades que formam a frente Brasil Popular -, o advogado Raimundo Bonfim fez uma avaliação positiva dos protestos realizados pelo Brasil. Ele destacou a união de representantes de grupos periféricos e da classe média e a pauta democrática, de oposição ao governo.

"O ato cumpriu com o objetivo. Não só o ato do Largo do Batata, como no Brasil inteiro. As fotos estampadas em todos os jornais mostram que foi uma manifestação contrária ao governo Bolsonaro, diferentemente de outros atos do último mês, quando pessoas defendiam a volta do regime militar, intervenção e fechamento do Congresso e do STF."

O líder do movimento Somos Democracia, Danilo Pássaro, afirmou que a manifestação cumpriu o propósito, pacificamente. "(O ato) mostrou que a maioria não apoia as políticas genocidas e o autoritarismo do governo", disse. Segundo Pássaro, após o primeiro protesto realizado pelo grupo, no último domingo de maio, representantes de outras torcidas organizadas - o Somos Democracia foi fundado por membros da Gaviões da Fiel - o procuraram para se unirem ao grupo.

"Em alguns estados já ocorriam mobilizações. A organização se constrói na movimentação, estamos alinhando as ideias pra fortalecer nacionalmente a luta pela democracia, STF, Congresso Nacional, contra o autoritarismo."

Quanto aos incidentes de vandalismo registrados na Zona Oeste, Bonfim negou que tenham relação com o ato. "Essa situação ocorreu 3 horas depois do ato. Não dá nem para dizer que o ato terminou com violência, porque na verdade o ato já havia terminado."

Os dois movimentos confirmaram novos atos públicos para o próximo domingo, 14, em todo o Brasil. "Estamos incentivando a ida de quem está fora do grupo de risco da covid-19. Nosso objetivo é que essas manifestações tenham uma crescente, mas, no momento, o importante é passar a mensagem de que as ruas não são dos fascistas, daqueles que defendem o regime militar. Temos que trabalhar com cautela e sabedoria", afirmou Bonfim.

Reação a críticas de Bolsonaro

Os representantes dos movimentos também comentaram a avaliação negativa do presidente Jair Bolsonaro sobre os atos do domingo. Nesta segunda-feira, 8, Bolsonaro disse que as manifestações contrárias ao governo são "o grande problema do momento" e que os grupos opositores do governo "estão começando a colocar as mangas de fora". O comentário foi feito a apoiadores, a quem o presidente dizia que sua intenção é  "arrumar as coisas devagar", a começar pela primeira indicação que fará ao Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro deste ano.

"Como eu peguei esse país? Vocês têm razão no que pleiteiam e no que falam. Eu peguei um câncer em tudo o que é lugar. Um médico não pode de uma hora para outra resolver esse problema todo. O grande problema do momento é isso que vocês estão vendo aí um pouco na rua ontem, (eles) estão começando a colocar as mangas de fora", disse.

Pássaro respondeu a declaração do presidente, afirmando que o clamor popular nas ruas só ocorre porque Bolsonaro se exime de responsabilidade na crise do novo coronavírus. "Estamos nas ruas, mas gostaríamos de estar em casa, cuidando da nossa saúde e da nossa família, mas presidente faz a gente furar a quarentena por meio do sufocamento financeiro. Não acredito que seja somente incapacidade de gerir a crise, é um projeto, Bolsonaro aposta no caos social pra impor sua saída autoritária. O projeto do governo depende da destruição da esperança do povo pobre e trabalhador, e da destruição dos sonhos da juventude - que me incluo."

Para Bonfim, a declaração do presidente é uma demonstração de medo. "É só contradição e medo na declaração dele. Fala de médico, mas não acredita na ciência. Fala de câncer,  mas ele é o  próprio câncer que o Brasil precisa se livrar, é tão nocivo ao povo, quanto o  coronavírus. Não adianta intimidar, está com medo das ruas, domingo será maior."

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