Movimentos cobram posição de ministro sobre saída de delegado

Rumores de que Mauat teria sido afastado levaram grupo a divulgar ontem uma carta aberta pedindo esclarecimentos

Andreza Matais e Fabio Fabrini , O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2015 | 02h02

BRASÍLIA  - Rumores de que o delegado Eduardo Mauat, que atuava até julho na Operação Lava Jato, em Curitiba, teria sido afastado das investigações levaram a Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos a divulgar ontem uma carta aberta ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Leandro Daiello Coimbra, pedindo esclarecimentos sobre a saída de Mauat das investigações. Segundo a PF, o delegado não foi afastado da Lava Jato. Ao Estado, Mauat disse que pediu afastamento da Lava Jato porque "estava cansado", mas que pretende retornar à força-tarefa.

O recrutamento do delegado para as investigações que apuram um esquema de corrupção, cartel e propinas na Petrobrás, afirmou a PF, terminou no dia 31 de julho, por isso ele voltou ao seu posto de origem, no Rio Grande do Sul. A PF disse ainda que nada impede o retorno dele a Curitiba. Mauat afirmou ao Estado que pediu afastamento da Lava Jato no final de julho porque "estava cansado", mas que pretende retornar, até porque disse ter agenda a cumprir nesta semana.

Formada por 44 entidades que pregam o combate à corrupção, a Aliança solicita ao ministro da Justiça e ao chefe da PF que "respeitosamente esclareçam de público, e com urgência, os motivos que os levaram a não prorrogar a missão do delegado da PF Eduardo Mauat, lotado no Rio Grande do Sul, junto à equipe da Operação Lava Jato, em Curitiba".

Postagem. No domingo, dia em que ocorreram os protestos contra a presidente Dilma Rousseff e demonstrações favoráveis às investigações da Operação Lava jato, Mauat postou em sua página no Facebook mensagem de apoio aos manifestantes. "Achei interessante as pessoas nas ruas", escreveu.

Mauat disse ao Estado que decidiu se manifestar nas redes sociais por achar "importante que as pessoas participem, se conscientizem". Sobre se a publicação pode prejudicar sua volta à Lava Jato, afirmou: "Se houver retaliação, isso significará uma interferência indevida".

Procurador. Em passagem por Porto Alegre ontem, o procurador da República Deltan Dallagnol, um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, destacou que o Ministério Público Federal não tem nenhuma ligação com as manifestações de domingo. "Não tivemos uma relação com essas manifestações como Ministério Público Federal, porque nós não queremos correr um risco de má interpretação do nosso trabalho, de que o nosso trabalho seja (considerado) político-partidário", disse.

/ COLABOROU GABRIELA LARA

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