Movimentos cobram plebiscito por Constituinte

Movimentos cobram plebiscito por Constituinte

Depois de apoio pela reeleição, grupos querem mais voz no governo e apoio a uma assembleia para a reforma política

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 05h00

São Paulo - Depois de saírem às ruas na reta final do 2.º turno, ajudando de maneira vigorosa a empurrar a candidatura de Dilma Rousseff, os movimentos sociais também querem uma participação maior nas definições dos rumos de seu governo. Uma das principais reivindicações deles é para que a presidente reeleita mantenha a sua promessa de se engajar ativamente na defesa da reforma política e da proposta de um plebiscito sobre a convocação ou não de uma assembleia constituinte exclusiva para fazer a reforma.

Representantes desses movimentos ouvidos pelo Estado disseram que já estão sendo planejadas manifestações públicas em diferentes pontos do País para defender a proposta do plebiscito. A primeira delas deve acontecer nesta terça-feira, 4, em São Paulo, às 18 horas, no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista.

Para o coordenador da Central dos Movimentos Populares no Estado de São Paulo, Raimundo Bonfim, existe a expectativa de que os movimentos sejam mais ouvidos no segundo mandato de Dilma. “Esperamos que o protagonismo que se viu na eleição continue agora. Para isso, é preciso mudar a forma como o PT governou o Brasil nos últimos anos”, disse ele.


Segundo Bonfim, o PT se afastou dos movimentos populares e deu privilégio a ações parlamentares. “Agora, porém, em que se verifica uma clara disputa pela hegemonia na sociedade, é preciso que os movimentos tenham mais protagonismo. Nós é que vamos sair nas ruas em defesa do plebiscito para a convocação de uma constituinte para fazer a reforma.”

Reforma agrária. Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), também disse que os movimentos estão unidos em torno da proposta de reforma política e do plebiscito. “O povo é que deve decidir se deve ou não ser convocada uma assembleia constituinte que teria como tarefa exclusiva a realização da reforma”, afirmou. “Cada movimento tem sua bandeiras específicas. Nós, do MST, queremos que a Dilma assente as 120 mil famílias de sem terra que estão acampadas nesse momento. Mas, em termos mais amplos, a questão mais forte é a reforma.”

O estudante Tiago Pará, integrante do Levante Popular da Juventude, movimento que, entre outras atividades, organiza manifestações de protesto contra militares acusados de graves violações de direitos humanos na ditadura, observou que Dilma enfrentará uma oposição mais organizada no segundo mandato. “Nós sabemos que o segundo mandato será fortemente disputado pelos setores reacionários. Nós também temos que reivindicar nosso espaço. Vamos fazer isso em ritmo de campanha, com militância na rua, procurando sustentar as propostas mais progressistas da campanha. Especialmente a do plebiscito.”

A estudante Maria Júlia Monteiro, da organização internacional Marcha Mundial das Mulheres, também falou na intensificação da polarização política. “Para fazer mudanças, Dilma precisará de apoio popular, de gente na rua, de toda essa militância que foi mobilizada na eleição”, disse.

O secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cleber Buzatto, também defendeu a prioridade da reforma política. Destacou sobretudo a questão do financiamento de campanha. “Se nada for feito, a tendência é que os espaços de representação em nossa democracia fiquem cada vez mais desequilibrados”, afirmou. “É incompreensível que 50% dos membros da Câmara tenham ligações com o agronegócio. Por outro lado, os índios, os quilombolas, os sem-terra, estão perdendo espaço.”

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