Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

'Movimento vivido no Brasil é de muita reflexão', diz Haddad em ato da CUT no 1º de Maio

Prefeito de São Paulo afirmou que a 'direita brasileira' subestima a 'força da classe trabalhadora'; presidente do PT, Rui Falcão, alertou que Michel Temer pode 'querer acabar com alguns benefícios, como a vinculação do salário mínimo da aposentadoria'

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2016 | 16h54

São Paulo - O atual momento vivido no Brasil exige muita reflexão. Foi assim que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), iniciou seu discurso no ato político organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no centro da capital paulista pelo Dia do Trabalho. "O desenlace da grave crise política (que o Brasil vive hoje) depende da união dos trabalhadores", afirmou o prefeito.

Haddad pontuou que a sociedade precisa refletir sobre o risco às conquistas dos trabalhadores nos últimos anos. "A direita se rearticulou e devemos ter consciência real da ameaça à classe trabalhadora", disse. "Mas o fato é que a direita brasileira comete sempre o mesmo erro que é subestimar a força da classe trabalhadora", afirmou Haddad, logo após o discurso de Rui Falcão, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT).

Falcão afirmou que o "golpe é um atentado contra os direitos da classe trabalhadora". "O (vice-presidente Michel) Temer já começa a querer acabar com alguns benefícios, como a vinculação do salário mínimo da aposentadoria", disse.

O presidente do PT também reagiu ao movimento de reaproximação do PMDB ao governo que, segundo ele, estaria acontecendo. Ele disse que não conversa "com golpistas".

Em seu discurso, o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, criticou Temer, chamando-o de golpista de terceira categoria e lembrou a pesquisa feita pelo instituto de pesquisa Vox Populi que mostrou rejeição da população ao vice-presidente e ao impeachment. Freitas afirmou que, para maioria dos brasileiros (58%, segundo a pesquisa divulgada em meados de abril), o impeachment da presidente Dilma não é a solução para os problemas econômicos e políticos do País.

Segundo a organização, o ato reúne cerca de 100 mil pessoas no Vale do Anhangabaú. Sindicalistas, pessoas ligadas a movimentos sociais empunharam bandeiras e acompanharam os gritos de ordem contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Fica querida" e "Não vai ter golpe" são algumas das frases repetidas pela massa.

Como a presidente Dilma participou do ato, a equipe da Presidência da República redobrou os procedimentos de segurança. Foi criada uma área restrita em frente ao palco, cujo acesso era regulado por seguranças e raio-X. Não era permitida, por exemplo, a entrada de isqueiros e materiais cortantes.

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