Movimento PT cobra espaço dentro do governo

O Movimento PT, segunda tendência mais importante do partido, decidiu cobrar espaço dentro do governo e elegeu como alvo principal o Campo Majoritário, a corrente petista mais forte e que hoje comanda o partido e o governo. Depois de dizer que o Campo "faliu e quase faliu o PT", os representantes do Movimento usaram a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy como exemplo da "voracidade" dos Majoritários por cargos no governo Lula. "Achamos que é um equívoco político o governo ser construído apenas com o campo majoritário", afirmou o deputado federal Geraldo Magela (DF). "Um equívoco profundo esse exclusivismo. Foi isso que provocou a crise no partido e no governo. Esse aparelhamento por algum setores colocado a serviço de setores do governo e até de projetos pessoais", completou a deputada federal Maria do Rosário (RS), hoje vice-presidente nacional do PT, no primeiro dia do encontro do Movimento, realizado neste sábado, em Brasília. As várias tendências do partido estão preparando suas teses para serem debatidas no encontro nacional do PT, em julho deste ano. O Movimento PT é o grupo do qual faz parte o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP). Ele deve participar da reunião de domingo da corrente.A reclamação principal é que, hoje, o Campo Majoritário tem cerca de 42% do partido, mas ocupa 95% dos cargos do PT no governo. "E agora, quando se fala na possibilidade de troca ou de mais um ministério para o partido, o nome que se fala é da prefeita Marta Suplicy, mais um nome do Campo", reclamou Magela. "O nome da prefeita não é um consenso dentro do PT. É um dos nomes e uma indicação do Campo Majoritário do partido", afirmou Romênio Pereira, secretário de Organização do PT. O Movimento PT costuma se autoclassificar como o "fiel da balança" dentro do partido. Entre a maioria do Campo e as diversas tendências de esquerda menores - que, juntas, obtêm mais ou menos a mesma percentagem de votos do Campo - é o Movimento que ajuda a decidir as eleições e, pelo menos até hoje, costumou se alinhar ao campo, a quem agora dirige as maiores críticas. "Não tem alinhamento com o Campo Majoritário. Acho que não tem mais como o Campo Majoritário continuar no comando do partido. O campo faliu e não tem um projeto para o partido", disse Maria do Rosário. "Faliu e quase faliu o PT", completou Magela. Essa briga interna vai chegar, na próxima segunda-feira, até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que irá se reunir com a Executiva do partido no Planalto. Os integrantes do Movimento ainda acreditam que poderão levar à Lula novos nomes para a reforma ministerial, que deverá ser anunciada ainda esta semana. "Se o presidente se preocupa em acomodar as tendências internas do PMDB, também o PT tem que ter suas várias tendências representadas", disse Maria do Rosário. O tempo, no entanto, é exíguo. Dificilmente o presidente irá mexer ainda mais na reforma, na última semana, para acomodar o PT, que já tem a maior parte dos cargos na Esplanada dos Ministérios - mesmo sendo o seu próprio partido.

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