Movimento Passe Livre apoia ato na periferia

Protesto nesta terça-feira nas zonas sul e leste pedirá fim da violência policial e controle de aluguéis

Bruno Ribeiro e Luciano Bottini Filho, de O Estado de S.Paulo,

23 Junho 2013 | 22h47

Embora mantenha suspensa, por ora, a organização de novos protestos para pedir melhorias no transporte público, o Movimento Passe Livre (MPL) anunciou apoio e ajudou a divulgar uma passeata contra a violência policial, por “saúde e educação padrão Fifa” e por controle dos aluguéis. O ato é do Movimento Periferia Ativa e tem o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

O protesto, que terá três concentrações (no Capão Redondo e no Campo Limpo, na zona sul, e em Guaianases, na leste) será a partir das 7h desta terça-feira. Até as 19h deste domingo, havia cerca de 3 mil confirmações na página do evento no Facebook.

O MPL fez três reuniões deste domingo, nas zonas leste, sul e oeste, para divulgar os ideais do movimento e planejar ações futuras. Na zona leste, o ato foi na sede do Sindicato dos Metroviários. A entidade deu suporte ao grupo durante a série de protestos que terminou com a revogação do aumento na passagem de ônibus, que volta a custar R$ 3.

Com uma plateia de cerca de 250 pessoas na quadra, quatro integrantes procuraram esclarecer alguns pontos. O primeiro é que a suspensão das manifestações do MPL ocorre apenas por ora, uma vez que o objetivo das marchas era revogar o aumento, o que foi feito.

O segundo foi divulgar um projeto de lei escrito pelo grupo, que deverá ser apresentado na Câmara Municipal como um proposta de iniciativa popular, que cria a tarifa zero de ônibus na cidade. O terceiro ponto foi esclarecer a meta de abolir a tarifa no transporte público.

No Sumaré, zona oeste, a reunião do Passe Livre precisou ser dividida em três sessões para que todos pudessem entrar. A procura, segundo os integrantes, foi inesperada. Em 2012, eles chegaram a fazer encontros com três interessados; neste domingo, uma fila de mais de 200 pessoas se formou diante da casa de teatro onde cabem cerca de 80 espectadores. Duas viaturas da PM se deslocaram no local, depois que um vizinho ligou para o 190 avisando que havia uma manifestação na rua.

As fotos e vídeos da imprensa estavam proibidas. O jornalistas só podiam entrar como “cidadãos”. A justificativa é que se tratava de um evento “intimista” para explicar à população a ideia da tarifa zero.

O ex-secretário municipal de Transporte do governo Luiza Erundina (1989-1992) Lúcio Gregori fez uma apresentação sobre a proposta de passagem grátis. “Tarifa zero é o fim da escravidão no Brasil”, disse.

Na plateia, o professor francês Roberto Vialli, de 58 anos, pensou em dar uma opinião contrária à tarifa zero, mas não quis enfrentar a maioria. “Isso (tarifa zero) iria dispersar mais a cidade. Você tem de ter um atrativo para quem mora no centro. Em Paris, o preço é gradual. Paga mais quem mora longe.”

Política. Os integrantes do MPL foram pressionados por diversos participantes a abraçar outras causas da esquerda política e disseram que concordam com as demandas. “O MPL, como movimento social, tem sua bandeira”, disse o professor de História Lucas Nogueira, um dos integrantes do MPL. Isso não quer dizer, segundo Nogueira, que o grupo não apoie atos de outros movimentos sociais, nem que exclua a participação de partidos políticos de esquerda. “Os partidos como o PSOL e o PSTU nos apoiam faz tempo e o apoio é bem vindo.”

Participantes dos eventos questionaram o avanço de grupos de direita nas passeatas. O argumento foi que organizações de ultradireita, como carecas e skinheads, tiveram rápido apoio popular na última marcha da Avenida Paulista, na quinta-feira. O grupo afirmou que, com apoio da massa trabalhadora, que poderá vir da articulação de sindicatos e outras entidades, a pressão da ultradireita deve diminuir.

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