Movimento denunciará maus tratos a brasileiros em Londres

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos vai denunciar ao Ministério das Relações Exteriores e à embaixada da Inglaterra os maus tratos que brasileiros estão sofrendo ao desembarcarem nos aeroportos britânicos. O presidente do movimento, Jair Krischke, já recebeu uma série de relatos de pessoas que foram impedidas de entrar no Reino Unido ou deportadas em situações humilhantes.O caso mais recente é o do juiz auxiliar de futebol Jairo dos Santos Winck Júnior, que regressou a Porto Alegre nesta quarta-feira. Ele chegou a Londres na manhã de segunda-feira, para 15 dias de férias, com hospedagem reservada e passagem de volta marcada para o dia 27 de agosto. Após uma entrevista inicial com os funcionários ingleses, foi encaminhado a uma sala do aeroporto onde esperou por oito horas sem saber o que estava acontecendo. Descobriu, no entanto, que entre a primeira e a segunda revista de suas bagagens, às quais ficou sem acesso, sumiram 500 dólares que estavam nas malas. Apesar disso, ainda contava com mil libras, suficientes para o período que permaneceria na Inglaterra. Mesmo assim, após interrogatórios humilhantes, foi informado de que não tinha motivos para conhecer a Inglaterra. "Disseram que eu devia fazer turismo no Brasil", relata.Decepcionado com o tratamento, Winck pediu aos funcionários da migração para voltar ao Brasil. Foi atendido, mas submetido ao vexame de ser conduzido por policiais até um avião da TAP, abaixo de ofensas. De Londres o árbitro foi encaminhado a Lisboa, onde passou por mais uma noite de humilhações. Foi trancado em uma sala fechada, vigiada por câmeras. Por fim, diante de seus apelos para voltar, foi conduzido à área internacional do aeroporto, onde aguardou o embarque no primeiro vôo para o Brasil. "Vi muitos brasileiros privados de seus direitos de ir e vir nos dois aeroportos", relata Winck, que estuda a possibilidade de recorrer à Justiça para buscar reparação financeira e moral.

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