Movimento critica destinação de recursos para Copa

Os organizadores do 17º Grito dos Excluídos em Curitiba, que tem como lema "Pela vida grita a Terra...Por direitos, todos nós", pretendem denunciar a "forma autoritária" e a "não prioridade social" na destinação dos recursos visando à Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, durante evento previsto para as 8h30 de amanhã, 7, na Paróquia São João Batista, próximo à Vila Torres. De acordo com a irmã Inês Zanin, da Comissão da Dimensão Social da Arquidiocese de Curitiba, recursos destinados a esses eventos podem fazer falta no atendimento aos pobres.

EVANDRO FADEL, Agência Estado

06 Setembro 2011 | 15h34

O Comitê Popular da Copa é uma das entidades que confirmou presença na manifestação. Segundo Thiago Hoshino, da Terra de Direitos e integrante do comitê, os megaeventos deveriam ser uma oportunidade para reduzir as desigualdades sociais, melhorando a condição de vida de toda a população brasileira. "Mas a distribuição dos ônus e bônus não é equitativa", afirmou. Segundo ele, em Curitiba haverá impacto grande no direito de moradia para a efetivação de obras de mobilidade. "Ninguém foi chamado para discutir a prioridade social", reclamou.

O local da manifestação foi escolhido por ser uma das regiões mais pobres nas proximidades do centro da cidade. "É uma realidade de pobreza e de degradação ecológica", acentuou irmã Inês. Segundo ela, também haverá momentos de reflexão sobre a violência urbana e a falta de moradias. Caso não chova, está prevista uma caminhada até um campo de futebol, onde haverá uma celebração ecumênica. A religiosa destacou que a data foi escolhida para se contrapor à comemoração da independência do Brasil. "Não há independência para muitas pessoas que estão à margem", acentuou.

O movimento Grito dos Excluídos foi criado em 1995 dentro do Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o objetivo de aprofundar a discussão da Campanha da Fraternidade, que abordava o tema Fraternidade e Excluídos. A partir dali, a manifestação ganhou apoio de outras igrejas e movimentos sociais, levando para a rua pessoas dispostas a levantar vozes contra o desemprego, miséria, violência e outras formas de exclusão.

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