Movimento contra tributo começa com racha

O lançamento da Frente Estadual de Vereadores Contra a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) ontem, em São Paulo, expôs um racha no movimento "Sou Contra a CPMF", liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Força Sindical, uma das entidades a entoar o coro pelo fim da contribuição, anunciou durante o evento que vai canalizar sua atuação para a redução da alíquota do tributo e não pela sua extinção. O presidente da central sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), explicou que a entidade tomou essa decisão por considerar mínimas as chances de extinção da CPMF no Congresso. "Somos a favor de uma redução da alíquota da CPMF para deixá-la apenas como instrumento fiscalizador das operações bancárias. Queria colocar essa proposta em discussão com o movimento", afirmou Paulinho, que deixou o local antes do fim da cerimônia. O deputado assume nesta semana a frente de esquerda na Câmara, que defende a redução gradativa do tributo para 0,08% em três anos. Hoje a cobrança é de 0,038%. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não quis polemizar sobre a proposição de Paulinho. "A nossa proposta é pela extinção da CPMF. Em relação à fiscalização, existe a lei que permite a quebra do sigilo bancário. Então, não precisamos cobrar um imposto para poder fiscalizar", disse o empresário.O movimento pela extinção da CPMF foi iniciado em junho pela Fiesp e 20 entidades sindicais e empresariais, que organizaram a coleta de assinaturas para um manifesto que será entregue ao Congresso. Ontem aderiu a frente de vereadores do Estado.A articulação é uma resposta à emenda constitucional que tramita na Câmara para a prorrogação da CPMF, que vence em 31 de dezembro deste ano. O tributo foi instituído há 11 anos para ser provisório, mas de lá para cá passou por sucessivas prorrogações. Aos cofres federais deve render, em 2008, R$ 38 bilhões. Tendo entre os apoiadores entidades que, na semana passada, organizaram o movimento "Cansei", em protesto ao governo Lula, Skaf negou que o "Sou Contra a CPMF" seja uma ação política contra o governo federal. "Este movimento é de pura cidadania. É apartidário."Nos discursos, entretanto, os oradores não pouparam críticas à condução dos gastos públicos pelo governo Lula.

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