Facebook/Reprodução
Facebook/Reprodução

Movimento Black Lives Matter 'usa pretos como massa de manobra', diz presidente da Fundação Palmares

Em publicação no Twitter, Sérgio Camargo voltou a atacar o movimento de ativistas que lutam pelos direitos dos negros nos Estados Unidos

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2020 | 20h50

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, usou as redes sociais para atacar mais uma vez o Black Lives Matters (Vidas Negras Importam), movimento de ativistas que lutam pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, com repercussão em dezenas de países.

Em seu perfil do Twitter, Camargo compartilhou um vídeo em que, segundo a sua descrição, mostra pessoas na cidade norte-americana de Portland arremessando livros em uma fogueira, entre eles uma bíblia. A autenticidade do vídeo não pode, entretanto, ser checada pela reportagem até o momento.

"Ativistas do Black Lives Matter queimam uma pilha de bíblias. A luta contra o racismo nunca importou. O que importa é o ataque aos valores de nossa civilização. O BLM é movimento marxista, que usa pretos como massa de manobra", disse Camargo.

Não é a primeira vez que o movimento Vidas Negras Importam é atacado pelo presidente da Fundação Palmares, que foi criada justamente para promoção e preservação dos valores culturais, históricos, sociais e econômicos decorrentes da influência negra no Brasil.

Em outra postagem na rede social este ano, após o assassinato do cidadão norte-americano George Floyd - vítima da brutalidade policial local, o que ocasionou uma onda de protestos por lá -, Camargo afirmou, por exemplo, que "nosso inútil movimento negro tenta importar para o Brasil os atos anarquistas e criminosos do Black Lives Matter, a Antifa negra dos EUA". 

Camargo é jornalista de formação e se apresenta no Twitter como um "negro de direita, antivitimista, inimigo do politicamente correto, livre". Em outras declarações, já chegou a relativizar a existência do racismo. 

O partido Rede Sustentabilidade, inclusive, já pediu a suspensão de Camargo do cargo, sob o argumento de que é inadmissível a permanência no comando da instituição de uma pessoa que minimize a existência do racismo no Brasil. No entanto, o pedido foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em 30 de abril, Camargo classificou o movimento negro em geral como "escória maldita", que abriga "vagabundos", e chamou Zumbi dos Palmares de "filho da p... que escravizava pretos", como revelou o Broadcast/Estadão. Além disso, manifestou desprezo pela agenda da Consciência Negra, se referiu a uma mãe de santo como "macumbeira" e disse que não daria um centavo para terreiros. Por causa dessas afirmações, ele é alvo de inquéritos no Ministério Público, acusado de improbidade administrativa, racismo e discriminação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.