Movimento acusa MST de inviabilizar desapropriação

O Movimento dos Trabalhadores Brasileiros (MTB) acusou o Movimento dos Sem-Terra (MST) de ter ocupado, dentro da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, o Engenho Caxito de Fora, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes, que estava sendo negociado por eles com o Incra. Com a ocupação, realizada ontem, a desapropriação da área fica inviabilizada por dois anos, como determina Medida Provisória."A ação do MST divide os trabalhadores e desmoraliza os movimentos", disse a líder do MTB, Marta Veloso, que foi ao Incra com um grupo de trabalhadores repudiar a ocupação. Eles também buscaram proteger, através de divulgação à imprensa, nove áreas pertencentes à Usina Central Barreiros, na zona da mata, que estão em fase final de desapropriação. "Só falta a imissão de posse. Se o MST ocupar essas terras, atrapalhando o processo de assentamento, pode haver confronto entre trabalhadores", alertou ela. Segundo Marta Veloso, há sete anos 150 famílias ligadas ao MTB estão acampadas na região do Engenho Caxito, que no final do ano passado foi colocado na pauta de prioridades do Incra para vistoria e avaliação. Marta Veloso disse que o MST tinha conhecimento disso, tendo agido deliberadamente. Ela também desmentiu informações fornecidas pelos sem-terra, sobre o número dos invasores da área. De acordo com nota do MST sobre as 13 ocupações ocorridas ontem em todo o Estado, 800 trabalhadores participaram da invasão do engenho Caxito de Fora. Veloso disse ter ido ao local, onde só havia 40 pessoas. "A informação mentirosa visa legitimar uma ação espúria de ocupação de uma área que estava sendo negociada por outro movimento", criticou ela.O líder do MST, Jaime Amorim, disse que não sabia que o engenho ocupado era reivindicado pelo MTB, mas não se retratou, nem considerou a ação negativa. "O fato de eles estarem esperando uma atitude do Incra há sete anos já é um bom motivo para a ocupação", disse ele. "Fica provado mais uma vez que, sem ocupação, não tem desapropriação". Para ele, o MTB é um movimento sem força de mobilização e reivindicação, "que só fica negociando com o Incra". De acordo com Marta Veloso, o MTB representa 1,3 mil famílias na zona da mata e região metropolitana.Amorim disse que o MST ocupou mais uma área hoje, em Petrolina, no sertão, totalizando 14 ocupações desde o domingo.

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