Joédson Alves/EFE
O vice-presidente Hamilton Mourão durante pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que rebateu as acusações do ex-ministro Sérgio Moro Joédson Alves/EFE

Mourão: ‘Forma como Moro saiu não é a mais apropriada’

Vice-presidente diz que ex-ministro, que acusou Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, poderia apenas ter solicitado a demissão; ‘Vida que segue’, diz general

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 16h48

BRASÍLIA – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, avaliou que a forma como o ex-ministro Sérgio Moro deixou o cargo, na semana passada, não foi “apropriada”. Mourão afirmou que a saída de Moro, por si só, gera problemas para o governo, mas as acusações contra o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir na Política Federal intensificaram a questão.

“Dentro da minha cultura, a forma como o ex-ministro Moro saiu não é a mais apropriada. Ele poderia simplesmente ter solicitado sua demissão”, declarou o vice-presidente em videoconferência promovida pela Arko Advice. “Só isso (demissão de Moro) já seria um problema para o governo pelas próprias características do Sérgio Moro e tudo que ele representa para o País. Vida que segue agora”, disse Mourão.

Na entrevista, o vice também afirmou que Bolsonaro e Moro tiveram “algumas rusgas” no relacionamento, como considera que ocorre “em todo e qualquer relacionamento entre um chefe e o seu subordinado”.

Ainda de acordo com Mourão, Bolsonaro ainda está escolhendo um substituto para o lugar de Moro. Nos bastidores, o nome mais forte é o do atual ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira. Com a mudança no comando do Ministério da Justiça e Segurança Público, o vice-presidente disse esperar um período de mais tranquilidade.

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Cenário obrigou Bolsonaro a buscar ‘nova forma de diálogo com Congresso’, diz Mourão

Para o vice-presidente, proximidade com partidos políticos resultará em redução de tensões

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 17h50

BRASÍLIA – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tem feito um movimento importante para a “efetiva construção de uma base parlamentar” no Congresso. Na visão de Mourão, a proximidade com os partidos políticos resultará em redução de tensões, além de facilitar que o País supere o que considera a etapa final do combate ao novo coronavírus.

Segundo Mourão, o cenário econômico observado desde o final do ano passado somado à pandemia da covid-19 fez com que o governo decidisse mudar a estratégia junto ao Congresso, com maior aproximação de partidos políticos. Após 16 meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro começa uma fase mais dependente dos partidos do Centrão, tendo que reinventar sua base aliada e precisando articular uma tropa de choque para evitar que o debate de um impeachment avance no Congresso.

“No começo do governo, o presidente Jair Bolsonaro e todos nós tínhamos a visão de que com base no pragmatismo e nas ideias reformistas do nosso governo, expressadas pela reforma da Previdência, PEC Emergencial e outras propostas, de que esses seriam os assuntos que fariam uma convergência de ideias e de trazer os parlamentares para que aprovassem aquilo que o governo julga necessário”, disse Mourão em videoconferência promovida pela Arko Advice.

Segundo o vice-presidente, em um primeiro momento a estratégia do governo “até funcionou”, mas a partir do final do ano passado e começo deste ano, o novo cenário “obrigou o presidente a buscar nova forma de diálogo com congresso”. A estratégia, de acordo com ele, envolve uma “aproximação mais cerrada junto aos partidos, de modo que o presidente Jair Bolsonaro construa uma base que lhe dê certa estabilidade”.

Durante a entrevista, Mourão também defendeu que o governo se mantenha fiel às medidas defendidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e que volte a seguir os fundamentos do equilíbrio fiscal e da defesa pelas reformas econômicas após superar o enfrentamento da covid-19. “Não é verdade que houve uma espécie de descarte das ideias do ministro Paulo Guedes”, enfatizou Mourão. Ele também defendeu que é necessário que o Brasil continue a seguir “a questão das concessões e privatizações”.

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