Mourão exalta a Proclamação da República: ‘nova etapa de evolução política e social’

Na contramão do vice-presidente, ministro da Educação critica a data: ‘o que diabos estamos comemorando hoje?’

Vinícius Passarelli, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2019 | 12h22
Atualizado 15 de novembro de 2019 | 23h59

No dia dos 130 anos da Proclamação da República, o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, mostraram ter visões diferentes da História do Brasil. Mourão preferiu manter uma postura protocolar e comemorou a data. 

Para o vice, o País passou a viver, a partir dali, uma “nova etapa de evolução política e social”. “Parabéns, brasileiros! Há 130 anos, com a Proclamação da República, entramos em nova etapa de evolução política e social. Muito fez o Império pela independência e unidade do Brasil, mas, abalado por graves crises, teve que dar lugar a um regime mais consentâneo à realidade nacional”, escreveu ontem o general da reserva em sua conta no Twitter.

Já o ministro da Educação publicou mensagens na mesma rede social com críticas à Proclamação da República. Segundo Weintraub, o movimento foi um “engodo” e uma “infâmia” contra d. Pedro II, imperador deposto pelos militares na queda do Império.

“O que diabos estamos comemorando hoje? Há 130 anos foi cometida uma infâmia contra um patriota, honesto, iluminado, considerado um dos melhores gestores e governantes da História”, disse Weintraub.

Montagem

O ministro da Educação ainda publicou uma montagem em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é comparado ao marechal Deodoro da Fonseca. “Chegamos ao traidor: tinha a confiança do Imperador, participou do golpe e não teve coragem de falar pessoalmente com Dom Pedro II que ele e sua família seriam exilados. O Brasil foi entregue às famílias oligarcas que, além do poderio econômico, queriam a supremacia política”, escreveu Weintraub na rede social.

Segundo o ministro, seria “impossível saber como seria o Brasil com um 15 de novembro de 1889 diferente”. “Também acho difícil o retorno da Monarquia. Defendo sim o resgate de nossa História e de nossos heróis. Chega de doutrinação e de mentiras. Uma nação sem passado não lutará no presente por seu futuro”, escreveu.

As postagens fizeram com que Weintraub fosse um dos assuntos mais comentados do Twitter ontem.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.