Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mourão vai na contramão de Bolsonaro e diz que orientação do governo continua a ser de 'isolamento'

Recomendação defendida por Bolsonaro é que o distanciamento seja adotado apenas para idosos e pessoas com outras doenças

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 18h07

BRASÍLIA - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta quarta-feira, 25, que a orientação do governo para combater a pandemia da covid-19 "é uma só" e continua sendo isolamento e distanciamento entre as pessoas.

A declaração vai na contramão do que defendeu o presidente Jair Bolsonaro na véspera, em pronunciamento em rede nacional de TV, quando pediu o fim do confinamento em massa e a reabertura de comércios e escolas.

Segundo Mourão, o presidente pode não ter se expressado da melhor forma no pronunciamento de terça ao propor que apenas idosos e doentes fiquem em suas casas. "O presidente buscou colocar e pode ser que ele tenha se expressado de uma forma, digamos assim, que não foi a melhor. Mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos é com a segunda onda", afirmou o vice-presidente,  explicando que a segunda onda são os impactos na economia, provocando desemprego. Mourão concedeu entrevista a jornalistas, via videoconferência, após reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal, órgão que preside.

"A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só. A posição do governo é o isolamento e o distanciamento social", disse Mourão. O vice ponderou que a orientação para isolamento está sendo discutida.

A recomendação de Bolsonaro no pronunciamento deixou médicos e aliados perplexos. Isso porque o contato com alguém contaminado é a principal forma de contágio do coronavírus e o isolamento da população para evitar a transmissão é recomendação do próprio Ministério da Saúde, que segue as orientações da Organização Mundial da Saúde. A covid-19 já infectou mais de 2 mil pessoas no País, com 57 mortes.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou que pediria ao Ministério da Saúde mudança na orientação de isolamento da população durante a pandemia

Mourão afirmou ser possível a mudança do chamado isolamento horizontal (que envolve todas as pessoas) para o vertical (apenas para idosos e doentes), defendida por Bolsonaro, de forma gradual após um período de 14 dias. É preciso liberar as pessoas das atividades essenciais para a "vida vegetativa" do País, declarou o vice.

Apesar das divergências entre Bolsonaro e o próprio Ministério da Saúde, Mourão enfatizou que o presidente da República está dentro da política traçada pelo governo e orientada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A preocupação de Bolsonaro, afirmou, é com o "verdadeiro desmantelamento da economia".

Tudo o que sabemos sobre:
Jair Bolsonaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.