Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mourão chama de 'tempestade em copo d'água' reações a vídeo compartilhado por Bolsonaro

Ao comentar fato do presidente ter compartilhado postagem convocando manifestação em defesa do governo, vice-presidente saiu em defesa de Bolsonaro e disse que 'protestos fazem parte da democracia'

Tânia Monteiro e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 17h18

BRASÍLIA – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou ao Estado que “estão fazendo tempestade em copo d'água” com a polêmica sobre a divulgação de um vídeo, pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua conta pessoal no Whatsapp, convocando manifestação em defesa do governo para o dia 15 março. Segundo Mourão, o vídeo "não foi  veiculado publicamente e, principalmente, não contém ataques ao Congresso e ao Judiciário”. Disse, ainda, que "protestos fazem parte da democracia".

Nas redes sociais, o ato de 15 de março está sendo convocado por movimentos de direitas em defesa do governo e contra o Congresso. Mourão declarou que não autorizou o uso de sua imagem, que também está circulando em vídeos chamando para essas manifestações. A informação de que Bolsonaro compartilhou vídeo em apoio ao ato pelo aplicativo de mensagens foi revelada pelo Estado e gerou reação negativa no Congresso. Para o vice, “protestos fazem parte da democracia” e o presidente “não atacou as instituições”. 

Depois de observar que Bolsonaro “não atacou as instituições",  Mourão disse que "arautos da democracia" tentam injustamente acusar o presidente da República de atentar contra elas, "coisa que  não fez”. Para o vice-presidente, é preciso “manter a calma” e “colocar o incidente em seu devido lugar”.

Mais cedo, Mourão foi ao Twitter para sair em defesa de Bolsonaro.  “Não autorizei o uso de minha imagem por ninguém, mas protestos fazem parte da democracia que não precisa de pescadores de águas turvas para defendê-la. O presidente @JairBolsonaro não atacou as instituições, que estão funcionando normalmente”, escreveu o vice-presidente.

Antes, outro militar do governo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, buscou se distanciar de campanhas de financiamento para o protesto, mas não deixou clara sua posição sobre as manifestações. 

“ATENÇÃO. Estão usando meu nome, indevidamente e sem meu conhecimento, para pedir apoio financeiro a empresários e amigos, em prol de propaganda e/ou de manifestações políticas. Alerto a todos que jamais faria isso ou autorizaria tal procedimento”, disse Heleno.

Os protestos do dia de 15 de março surgiriam em reação à fala de Heleno, que chamou o Congresso de "chantagista" na semana passada.

Próximo de Bolsonaro, o secretário da Pesca, Jorge Seif Jr., também saiu em defesa do presidente. “Sutilezas: o que chamam de “protesto”, eu chamo de manifestação de apoio. Tudo dentro e previsto na democracia de meu país”, afirmou o secretário.

Bolsonaro também se manifestou pelas redes sociais sobre a divulgação de vídeos convocando apoiadores a irem às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. O presidente não negou ter feito os disparos, revelados pela colunista Vera Magalhães, do Estado.

Sem citar o vídeo, Bolsonaro disse que "troca mensagens de cunho pessoal, de forma reservada". "Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República", afirmou no texto.

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