Motoristas devem depor sobre ´rota dos desvios´

O Ministério Público Estadual quer localizar dois motoristas que trabalharam para a diretoria da Construtora Mendes Jr. Os dois ex-funcionários da empreiteira teriam levado diretores à residência do ex-secretário municipal de Obras e Serviços Públicos da Prefeitura, Reynaldo de Barros, para entrega de dinheiro supostamente desviado de grandes obras viárias da administração Paulo Maluf (PPB).A operação teria se repetido diversas vezes, entre 1993 e 1998, segundo denúncia do ex-coordenador financeiro da Mendes Jr., Simeão Damasceno de Oliveira. O dinheiro era remetido a paraísos fiscais e depositado em contas bancárias do pepebista."Isso é um delírio, uma coisa ridícula", reagiu o advogado Ricardo Tosto, que coordena a defesa de Maluf. O deputado Reynaldo de Barros Filho disse que seu pai - o ex-secretário de Obras - "nunca viu esse Simeão". O ex-coordenador financeiro afirmou ter se encontrado três vezes com Maluf no escritório de Calim Eid, velho aliado malufista que já morreu.Simeão não disse ter entregue dinheiro a Maluf. Ele também não apresentou provas sobre a remessa de valores para o exterior e nem da entrega do dinheiro a Reynaldo de Barros, mas apontou os motoristas, cujos nomes estão sendo preservados pela Promotoria de Justiça da Cidadania.Os promotores investigam conexão entre recursos que teriam sido desviados das obras do Túnel Ayrton Senna e da Avenida Água Espraiada e depósitos para Maluf na Suíça e na Ilha de Jersey. Nesta segunda-feira, os promotores Silvio Antonio Marques e José Carlos Blat foram à sede da Mendes Jr. porque receberam denúncia de que um motorista estaria na empresa. A informação não foi confirmada.Os promotores estão intimando diretores da empreiteira. O ex-prefeito nega irregularidades nos empreendimentos. "O doutor Paulo não tem nada a ver com essa história", observou o advogado Ricardo Tosto.A Construtora Mendes Jr. contratou o escritório do ex-procurador-geral de Justiça de São Paulo, Antonio Araldo Ferraz Dal Pozzo, para cuidar de sua defesa nas investigações sobre suposto esquema de emissão de notas frias durante a gestão Maluf.Especialista em Direito Público, Dal Pozzo dirigiu o Ministério Público Estadual nos governos Orestes Quércia e Fleury Filho. Em 1994, deixou a procuradoria para assumir o cargo de secretário de Administração de Fleury. Nesta terça, Dal Pozzo disse que está começando a estudar o caso para tomar conhecimento do que está sendo investigado pela promotoria.

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